Verborragia

sábado, dezembro 11, 2004

11 de dezembro

Já é quase ano que vem e eu já comecei com os meus humores de fim de ano. Não tem jeito.
Apesar da gravidez já ter acabado, continuo num estado de TPM contínua no que diz respeito aos meus humores. Em algumas horas, parece que o mundo vai acabar (se é que já não acabou), em outros eu fico tentando me convencer (e ser convencida) de que o mundo é bacana, de que as coisas vão ficar legais de novo, que o céu é azul, que... enfim...
Meu lado Grinch (que quer acabar com o Natal) não floresceu ainda. Não sei bem se é porque esse ano eu não tenho tempo, condições ou saco para pensar nisso ou se porque, de agora em diante, começa um novo tipo de Natal. Na verdade, me anima um bocado a perspectiva de que eu tenho que fazer coisas bonitas e grandes e felizes nessa época do ano para que a minha filha tenha recordações da infância dela tão bacanas quanto as que eu tinha. Esse ano isso ainda é indiferente, ela não vai lembrar de nada, mas mesmo assim eu já me decidi que preciso achar um Papai Noel bacana para tirar uma foto com ela no colo pro álbum de família.
Ao mesmo tempo, não montei a árvore ainda, não comprei nem um presente, não fiz absolutamente nada relativo à data. Só me tornei ciente de que ela chega aí.

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E então eu, como metade da torcida do Flamengo e um monte de gente que eu conheço, começo a me preparar para o ano que chega. O ano em que tudo vai ser diferente, melhor, blábláblá.
Preciso consertar um monte de coisas, decidir fazer um outro monte delas, pôr em prática vários planos.
E assim como ler a revista da TV todos os domingos, todo fim de ano eu preciso ler previsões astrológicas para o ano que vem. Tô nem aí se são previsões genéricas ou coisa que o valha.
Só que eu não consegui ainda, sabe?
Li uma. Na marra.
Boa previsão, diga-se de passagem. Bem do tipo que eu estou precisando e querendo. Do tipo que faz você imaginar se o que está escrito ali não muda mesmo de pessoa para pessoa magicamente sendo aquela ali feita especialmente para você porque você quer ler aquilo ali.
Mas uma só não basta. Como é que eu vou ter certeza? Cruzar os dados? Fazer uma estatística? Me convencer de que todas as previsões apontam para o sucesso e incutir isso na minha cabeça para que eu me esforçe para que tudo aquilo ali dê certo e depois dê todo o crédito do meu sucesso às pessoas que fizeram as tais previsões, hein?
Será que sou só eu que já quero saber o que vai acontecer ano que vem?
Será que as pessoas não perceberam ainda que já é praticamente meio do último mês do ano?

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Engraçado que quando esse ano começou eu sabia que tudo ia ser muito diferente.
Assim que estouraram os fogos, eu tive certeza de que coisas grandes iam acontecer.
E eu não estava errada. Uma coisa de 52 centímetros, que demorou quase 10 meses para nascer e me deu muito, mas muito trabalho psicológico, aconteceu.
Aconteceu uma nova razão para viver a minha vida.
De modo novo e diferente.
Que vai me fazer passar o primeiro reveillon em vários anos, desde que eu me lembro de reveillons, em casa. Com uma garrafa de champanhe num braço e ela no outro, vendo os festejos pela TV.

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Isso, aliás, é outra mudança significativa, né?
Ao invés de festas badaladas, uma porranca de dar inveja a qualquer um e toda aquela agitação - por mais que eu reclame e fique com invejinha dos meus amigos - esse ano eu me sinto absolutamente incapaz de trocar minha pequenininha por tudo isso.
Parece muito deprimente, mas eu sei que vai ser bem lindo...

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...De qualquer forma, eu continuo querendo previsões...