Verborragia

quinta-feira, abril 14, 2005

Capítulos Marcantes da Maternidade nas Últimas Semanas

O Mosh

Domingo de Páscoa.
Dia em que Ela completava cinco meses de Vida.
“Tínhamos” acabado de ver “A Paixão de Cristo” no Telecine, estávamos nos preparando para ir jantar na casa da Bisavó; Ela de bruços entretida com um lençol na cama, eu arrumando o banho dEla.
Foi um minuto.
Eu saí do quarto para pegar o balde d´água, quando eu ouvi: PAFT!
E o choro.
Pensei: “Ai, meu Deus, morreu!” e saí correndo.

(Parênteses aqui para explanar que a geografia da casa não é tão ampla quanto pode parecer que seja; do quarto para o banheiro são uns 4, no máximo 5 passos.)

Ela estava lá, vermelha, chorando ALTO, absolutamente esborrachada no chão.
Automaticamente, mais ou menos do mesmo jeito que foi quando eu ouvi o primeiro choro dEla, comecei a chorar também e a peguei nos braços.
Eu tremia e chorava e ela urrava.
Comecei e me amaldiçoar por todos os anos de acompanhamento assíduo de E.R. porque isso só me fazia pensar em pessoas que levavam tombos em uma determinada hora e de repente tinham uma puta embolia cerebral morriam sem mais em menos e outras coisas fabulosas de você pensar nesse momento.
Enquanto eu pensava tudo isso, ia apalpando pra ver se em algum lugar doía mais, se tinha alguma coisa vermelha, aparentemente quebrada, se...
Aí eu fiquei puta.
Muito puta e possuída por ter que passar por isso justo nesse dia, justo numa hora em que não tinha ninguém perto que me ajudasse, que me dissesse o quê fazer, que compartilhasse do meu sofrimento.
Mão no telefone, minha mãe ainda não tinha chegado na casa da minha avó.
Pro pai eu não podia ligar. Ele estava tocando em Caxias (ou seja, longe pra cacete) e eu nem tinha certeza de que era uma coisa realmente séria e só ia fazer deixar o homem preocupado. Ia fazer o quê: “Olha, a sua filha acabou de dar um mosh da cama e eu acho que vai passar, que foi mais susto que qualquer outra coisa, mas larga tudo aí e vem partilhar do meu sofrimento”? Não dava.
Reality check.
É, colega, que nem essas vão ter muitas outras e você vai ter que segurar a barra e resolver solo, sem bandinha.”
Merda!
E ficamos as duas abraçadas por um longo tempo, nos acalmando, realizando que tinha sido só um susto mesmo, que Ela estava inteira por mais que eu estivesse aos pedaços...

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A Quase Sentadinha

Na barriga, segurando as mãos, Ela já fica sentadinha, no colo também, aí um dia ela sentou segurando no carrinho e viu pela primeira vez os raios dos patos da Praça da Paz. Nesse dia eu não estava lá.
Mortificada, como ainda vou ficar por uma série de coisas que vou efetivamente perder e não estar lá e como é comum no que diz respeito às mães, fui repetir a operação de deixar Ela sentada segurando no carrinho. Ela ficou. Meio troncha. Se se empolgasse caía pro lado, rindo. Mas ficou.
E eu fiquei toda torta também, de pernas bambas, percebendo que meu bebê está crescendo. Rápido. Que o tempo está passando. Rápido. Que Ela já tem quase seis meses de Vida.
Rápido.

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O Primeiro Dia Em Que Ela Foi Pra Casa Dele

Esse dia ia chegar.
Precisava chegar.
Mais cedo ou mais tarde.
Por forças maiores e um dia inteiro de folga dele, eu dei a sugestão, que foi aceita com entusiasmo.
Na véspera fiz a “malinha” dEla, não saí porque tinha que acordar cedo para arrumar e alimentar Ela, porque não queria perder a saída dEla daqui porque ia estar sem conseguir falar português ou qualquer coisa que o valha.
Também estava morrendo de culpa.
Tinha passado a semana reclamando que ninguém se lembrava que eu também gostava de sair sozinha de dia e fazer programas do tipo almoçar fora ou ir a um cinema, e era justamente isso que eu pretendia fazer naquele dia “de folga”. Em parte pela falta que estava me fazendo, em parte porque eu sabia que, já que era inevitável, melhor fazer o programa pretendido que ficar em casa dando cabeçadas na parede e pensando se Ela estaria bem.
Eu sabia que Ela estaria bem.
Tirando o fato dEla não conhecer a casa e de eu não estar lá, ia estar cercada de pessoas que eu tinha certeza que iam cuidar muito bem dEla e que iam ficar felizes dEla estar lá.
Eu precisava, preciso e sempre precisarei confiar nisso, senão não vai funcionar.
Sete da manhã.
Todo mundo de pé.
Mamadeira.
Banho.
Últimos ajustes.
E lá se foi Ela.
Eu fiquei vendo tudo da janela e chorando, tremendo, vendo, mais uma vez, a Verdade Absoluta: meu bebê está crescendo.
Dormi mais um pouco.
Acordei, arrumei coisas, fui fazer meu programa.
Almocei, passeei, rodei, encontrei pessoas e acabei indo ver um raio de um filme com uma criancinha possuída do tipo que eu adorava ver quando não tinha filhos e não tinha me tocado que as criancinhas possuídas sempre moram sozinhas com as mães que são sempre as infelizes que têm que ter um lero com o demônio para que ele deixe seu bebê em paz. O filme já me rendeu três noites de pesadelos, façanha só atingida anteriormente pelo E.T..
Voltei, conversei, esperei, esperei, esperei...
A casa fica tão vazia sem Ela...
Tão silenciosa...
Eu fico ociosa...
Não sei mais viver sem Ela.
Voltou, inteirinha, com todos os dedos, risonha, falante, do jeito que foi. Deu um ciúme louco de pensar que Ela nem devia ter sentido a minha falta, ver que Ela tinha ficado bem (amos e convenhamos que no fundo, no fundo, toda mãe nessa situação quer mais é que a criança esperneie e seja “inseparável” dela), mas tudo bem. No fim, isso torna as coisas até mais fáceis, né? Apesar deu ainda não querer saber dessa história dEla passar uma noite inteira lá, ou, ai, uma semana...
E eu sobrevivi a mais essa.
Apesar dos pesadelos.

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Ploft!

Semana retrasada atentou-se para o fato de que a criança resolveu ter gases agora.
Ela fica irritada, manhosa, coisas que Ela nunca foi.
Continua um espetáculo, mas agora um espetáculo que se irrita e mia muito à noite e precisa, então tomar sua dose diária de Luftal.
E aí que ontem eu estava aqui tentando amansar um pouco a pequena ferinha e fui brincar de cavalinho, aquela brincadeirinha estúpida em que você faz a criança dar pulinhos no seu colo (pois é, já começaram as brincadeiras estúpidas) e aí eu ouvi: “Ploft!”.
Fiz de novo.
“Ploft!”.
Terceira vez.
“Ploft!”.
O tal barulho vinha da barriga dEla!
Como se tivesse uma enooooorme bolha de ar lá dentro!
Tudo bem que a criança está com gases, mas aquilo era normal?
Dez e vrau da noite.
Será que eu incomodo o pediatra por causa do ploft?
Como é que eu vou explicar o ploft?
E, depois, que moral eu tenho pra reclamar do ploft, se ele me disse para dar um remédio da homeopatia que eu só mandei fazer hoje?
Será que cato o pai dela pra ver o que ele acha?
E ela rindo...
Aí minha mãe chegou.
Mostrei pra ela.
“Ploft!”.
Ela se esborrachou de rir e me disse que achava que devia ser normal, até porque, depois de mais alguns “plofts” fomos saudadas com dois enormes e sonoros arrotos.
Fim do “ploft”.
Hoje, tivemos um dia atribulado, mas normal.
Cheio de risos, fomes, peraltices, fraldas sujas...
E aí, agora a pouco, antes dEla dormir...
“Ploft!”.
O remédio da homeopatia fica pronto amanhã.
Se amanhã isso se repetir eu ligo pro pediatra, juro.
E eu achando que Ela já tinha inventado moda o suficiente por algum tempo...

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Viram?
Eu andei ocupada.

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Maternidade.
Fortes emoções todos os dias ou seu dinheiro de volta.