Tudo e Tudo só Dela
Teve de tudo.
Nesta última semana descobri que precisava operar o olho da Liloca para tirar o Tersol do Inferno, corri para vários médicos, peguei chuvas intensas em vários lugares da cidade com e sem ela, fui a mais um bem sucedido Vespeiro, fui a mais uma Paradiso, fui a mais um churrasco, me perdi seguindo um mapa e quase fui parar em Cascadura só para buscar a Lilis, viajei, Liloca ralou a cara pela primeira vez correndo atrás de uma bolha de sabão, joguei War, voltei de viagem, vovó foi internada, Liloca foi operada com sucesso, vovó morreu, tive minha primeira reunião escolar enquanto mãe, fui ao velório e providenciar a missa com a família, tentei dormir um pouco, perdi mais um bem sucedido Vespeiro, faltei a mais uma Paradiso, participei ativamente na organização de um bota-fora para o Lipe aonde fui à nocaute antes das 3 da manhã, fui à pracinha, e hoje, enfim, chegou aquele tão temido e esperado dia: o primeiro último dia de férias da minha filha.
Leves considerações:
O olho está bem.
As chuvas pararam. O Rio ficou uma coisa medonha. Parecia o fim do Mundo. E eu tristíssima de ver minha cidade tão abandonada, tão caótica...
O nariz já está okay também. Alías, isso foi lindo. Tadinha dela! Tão feliz com as bolhas de sabão, tão encantada e pof no chão de testa... Mas, graças a um instinto materno qualquer eu resolvi viajar munida de spray anti-séptico que foi devidamente borrifado no local imediatamente fazendo com que ela não sentisse mais dor e não ficasse com o mínimo trauma relativo a bolhas de sabão. Passadas duas horas de tombo, lá estava ela atrás delas de novo.
Vovó foi rápido. Pegou uma gripe e foi. Nem viu nada, nem soube de nada e eu acho que aos 97 anos foi um modo bastante okay de morrer também. Quem fica é que ficou atrapalhado. Era o tipo da coisa que a gente já esperava a anos, mas que quando aconteceu, deixou todo mundo meio baratinado. Eu, por exemplo, preciso repensar e dar jeito em zilhões de coisas rápido, já que a casa dela era minha base de operações e todo meu ano corrente tinha sido planejado em cima deste apoio. Talvez tenha que me transferir de faculdade. Preciso pensar em algo que possa fazer em casa para ganhar uma grana. Preciso me reorganizar toda.
De qualquer forma, as burocracias são coisas muito chatas.
Lipe foi embora de novo. Todo ano, quando ele vem, a vida fica uma maravilha. É como se ele fosse um dos links mais importantes na nossa vida e na nossa amizade. O grupo inteiro se reencontra, a gente bota papos de todo o ano em dia, faz churrascos, se reúne e lembra como era tudo mais fácil antes. A sensação é sempre fantástica! E eu fico superfeliz sempre porque ele toma muito conta de mim. Esse ano, então, foi lindo! Ele e Liloca ficaram grandes amigos! Ele ensinou a ela como gostar do mar...
Quando ele vai embora fica todo mundo meio cabisbaixo...
Passa.
E ele volta ano que vem.
Mas faz uma falta monstruosa esse meu amigo querido...!
Vespeiro. Paradiso. Ahn. Mesmas pessoas. Mesmas historinhas. Na fase atual, por mais amadas que elas sejam, e são, tanto faz ir ou deixar de ir. Ando bebendo pouco, qualquer 4 cervejas já me deixa meio torta; ando saindo pouco, por falta de grana, babá e paciência. Ainda naquela fase em que eu acho que nada vai acontecer e nada acontece e eu prefiro ficar em casa com a minha filha e tenho mil coisas mais importantes para fazer. Na verdade, eu continuo precisando sair, assim, de duas em duas semanas, mas ainda assim, é só uma questão de insistência. Nada muito genial acontece.
Então as aulas, né...?
A primeira reunião começou bem chata, mas eu precisava ir porque nunca tive um filho antes e, apesar de ser meu assunto favorito na terapia a dois meses, eu não fazia a menor idéia de como se adaptava uma criança à creche e como seria e quanto tempo demoraria e todas essas coisas... Gostei da professora. Descobri que uma das coleguinhas de Liloca será a filha de uma moça que foi minha coleguinha de yoga para gestantes. Elas têm uns dois de diferença em idade, eu acho... Isso foi bacana!
A imaginação da gente dá voltas e voltas.
Ainda lá já chorei de saudades do meu bebê. Chorei ao perceber o quanto o tempo passa rápido e como ela já cresceu! Imagina... 1 ano... Coléginho... Já anda, tem um monte dentes... Já começa a me deixar... A ir pro mundo...
Dá medo, dá saudades, emociona, excita... Dá aquela montanha russa emocional toda a qual eu já devia estar acostumada faz tempo. Mas que não estou.
E amanhã é o dia.
Como será que vai ser?
Será que ela vai se enturmar rápido?
Será que vai ser bem cuidada?
Que eu fiz a escolha certa?
Muitas perguntas, muitos medos, muitos sentimentos...
Ela até já foi dormir, mas eu desconfio que terei uma longa madrugada pela frente... Como uma boa moça ansiosa, sempre que tem alguma novidade eu tenho insônia. Como uma má hipocondríaca, não tenho nem uma gota, uma bolinha, uma pilulinha de calmante em casa... Some-se a isso a minha TPM que está fazendo aquilo que ela sempre faz comigo, desconfio que será uma noite e tanto...
Sei lá também...
Talvez não...
Talvez um leite quente dê conta...
Talvez eu fume todos os meus cigarros...
Talvez espere um pouco...
Não, não vou esperar nada senão vou ficar nervosa e ficar pensando no que não devo e aí que eu não vou conseguir dormir mesmo.
Vou ler na cama.
Talvez isso resolva também...
Ai, a maternidade...!
"Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha, não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão
Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim
E você vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Teu bicho-papão
Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
E também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei "
Deu pra entender?

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