Verborragia

segunda-feira, março 20, 2006

Da Felicidade

A-dre-na-li-na.
Coração a mil por hora.

Queria já ter escrito antes...

Sábado eu fiquei triste.
Bem triste.
Porque mais uma vez sofri de pressa, resolvi fazer o que achei que devia, escrever o que queria para depois ficar sem saber se deveria mesmo.
Maldita mania de só pensar com o coração!
Por causa dele, de novo, faço o que eu acho serem as maiores declarações de amor nas horas mais erradas e usando sempre as palavras mais erradas.
Maldito descontrole!
Maldita mania de autoboicote!
De me pintar de um jeito que não é mais o meu e que talvez nunca tenha sido.
Claro que está que morri de aflição e precisei sair para ver gente.
Fugir.
Fingir que tudo não estava onde estava e nada estava acontecendo.
Em duas horas estava bem mais leve, feliz e absolutamente ébria.
Devo mil obrigados ao meu amigo Carlos André que me recebeu com DVD do White Zombie (Nossa! Como é bom! Como é bom!!!), cervejas e ouvidos abertos. Ele é uma das poucas pessoas que eu conheci na noite (quando elas ainda eram loucas, muito loucas) e com quem eu sei que posso contar. Uma das poucas pessoas de quem eu sinto saudades também.
Agüentei pouco mais de uma hora dentro da boate, que gastei tomando 3 cervejas e conversando assuntos nada importantes com outra meia dúzia de pessoas. Saí sem nem me despedir de ninguém.

Aí veio um domingo de sol.
Graças à gripe que nos derrubou a semana inteira, eu e Licas estávamos proibidas de ir à praia, então resolvi que iríamos passear na Lagoa, uma vez que o Jardim Botâncio está meio caro pro meu gosto e é fora de mão e eu só vou poder levá-la na Hípica lá para meados de julho.
O dia estava lindo, ambas de bom humor, mas foi passear e lanchar mesmo porque os afazeres pagos do programa eu ainda vou ficar devendo a ela uma vez que pedalinho (que ela ficou maravilhada de ver) eu não ando nem amarrada ou se me pagarem e achei que, por enquanto, andar naquelas bicicletas tenda tamanho família ia ser exigir demais da minha pessoa que se veria obrigada a pilotar, pedalar e segurar minha pequena kamikaze ao mesmo tempo (se bem que eu me vi segurando um coco, um pacote de biscoitos, uma bolsa, uma máquina e um bebê nos dois braços durante um certo período de tempo, a vantagem era só os pés no chão).
De qualquer forma, nos divertimos, foi bacana pra caramba.
De lá fomos para mais uma sessão em família de “desmonte da casa da vovó”, que, pelo visto, deve acabar beeeeeemmmmmm mais rápido do que todas nós imaginávamos.
Desta vez, o alvo eram os livros.
Uma boa centena deles.
Me senti no paraíso perdida no meio daquela biblioteca podendo escolher e separar uma quantidade mais que razoável daquele tesouro para mim. Não só para mim, diga-se de passagem, para Olívia também que ganhou vários livros de fábulas quase centenários, vários volumes de 19emamãe criança de Monteiro Lobato (que eu, particularmente, nunca me interessei por ler, mas acho que toda criança podendo deve tê-los ao alcance das mãos e dos olhos), livros de arte, romances...
Aonde eu vou pôr todos eles é uma questão que me escapa, uma vez que aqui em casa agora só tem lugar para a vaca, mas eles são meus! MEUS!
Mais de cinqüenta livros!!!
O melhor presente do ano até agora de longe!!!
E o que estava fazendo valer meu fim de semana todo.
Voltamos para casa e computador resolveu não funcionar.
Ele agora faz isso.
De novo.
Eu posso usar o da faculdade, o da casa de amigos, cyber café, mas grana pra consertar se ele morrer de vez eu não vou ter tão cedo.
Não pude escrever, ver e-mails, saber de nada direito. Em dois minutos ele apagou e não ligou mais.

Apesar da programação intensa, passei o fim de semana longe. Tendo várias conversas fictícias. Contando toda a história da minha vida. Construindo uma nova vida nova.
Longe...
Com o coração apertado...
Fiquei insone.
Pensando.
Rezando.
Lembrando.
Pedindo.
Tudo tanto que acabei me resolvendo por sonhar também.

Então veio o toque.

Eu queria tanto, mas tanto aquele toque que havia levado o telefone comigo.
Esperava por ele.
Tinha me cortado o coração conseguir dormir e ver aquele monstro branco dormindo muito, mas muito mais profundamente do que eu.
De forma que, quando ele tocou, eu saltei da cama, tremendo, correndo e atendi.

Só para ouvir que eu sou muito malcriada, que era só para me acordar, para dizer que estava com saudades.
Só para ouvir a voz.
A voz que me deu uma alegria tão grande de ter escutado, que depois até chorei de alívio. De felicidade.
A voz da pessoa que eu quero pra mim, que acelera meus batimentos, me faz sonhar, fazer um esforço tremendo para lutar com a minha potência autodestrutiva, que me faz querer. De novo.
Que me faz estar aqui, querendo publicar tudo, escrever tudo, sentada quase no escuro ouvindo nada além do vento e tentando que tudo isso possa exprimir de alguma forma o que aconteceu comigo.
Mas não faz jus.
Nem vai fazer nunca.
Porque é muito mais que 3 páginas de caderno.
Muito.