Verborragia

sexta-feira, abril 28, 2006

À Luz da Minha Vida

E minha bebê fez 18 meses.
1 ano e meio.
Rápido?
Nem tanto.
Passou na medida que um ano e meio deve ter, eu acho.
Claro que eu olho para as fotos da gente chegando em casa, aquele bagaço humano com aquele embrulhinho micro nos braços e fico com saudades, e penso em nossa, como ela cresceu!
Me sinto vitoriosa.
Sinto a minha filha vitoriosa.
Curto cada dia e cada fase.
Morro de felicidade por ser mãe de uma criança tão feliz e tão especial!

Lembrei do dia que ela nasceu.
O momento do primeiro choro foi uma coisa indescritível...!
Toda minha ansiedade, a demora para vê-la de verdade; o momento em que eu a peguei pela primeira vez, que foi a coisa mais natural do mundo, como se eu já viesse fazendo aquilo há muito tempo, o cansaço, as dores...

Depois todas as preocupações e culpas subseqüentes.
Eu me perguntando o que eu ia fazer com aquilo.
Me perguntando como eu conseguir criar uma criança.
O que ia ser da nossa vida.

As primeiras vacinas, tão dolorosas. Mais pra mim do que pra ela, que só chorava na hora enquanto eu chorava o dia inteiro.

Os primeiros banhos, tão sem jeito.
As primeiras fraldas.
As noites sem dormir.

O primeiro sorriso.

Minha incapacidade em ser uma mãe perfeita se manifestou muito cedo, tão logo fui incapaz de amamentá-la.
Tão logo ela tomou o primeiro tombo.

Os dias de separação sempre tão doídos, tão vazios.

Todas as mudanças que a vinda dela trouxe para a minha vida.
Para o modo de me portar.
De querer.
De amar.
De pensar.
De planejar.

Toda uma vida que começou e outra que recomeçou.
Passei maus bocados.
Ela passou comigo.
Passei bons bocados.
Ela passou comigo.

Minha amiga, minha companheira, minha maior preocupação, minha maior culpa, minha maior felicidade.
A pessoa que me acompanha para sempre.
Que sempre acaba me fazendo rir.
Que me faz os melhores carinhos do mundo.

Eu aprendi tanto...!
Cresci tanto...!

E ela?
Que primeiro rolava, depois engatinhava, depois levantava aos pouquinhos e hoje corre, corre, corre, e ri, e grita, e dança, e canta, e desenha as minhas paredes, e dorme no meu colo, e me acorda todos os dias com aquele “ma-mããããinhê” que eu tanto amo.

Por ela a vida continua.
Pra ela os dias são mais bonitos.
Por ela bate meu coração.
Por ela eu quero coisas melhores e mais felizes.
Por ela eu quero acertar em tudo.

Não foi rápido.
Foi uma evolução.
O começo do começo de uma história.
A mais linda.
A que eu mais me orgulho.

A decisão mais egoísta que eu já tomei na vida.
E, definitivamente, a melhor.
A que me salvou a vida.
Me transformou numa outra pessoa completamente diferente.

Eu tive que reaprender a ser gente.
Tive que aprender a ser mãe.
Ainda estou aprendendo a ser mulher de novo.

Modéstia à parte, no trabalho de mãe, sou imperfeita, sou falha, sou humana, mas faço um trabalho sensacional, pelo menos por enquanto.
E amo este trabalho, que para mim é o meu maior prazer.

Por ela tudo existe.

E, nossa, se ela soubesse!
Sabe.
Mas se soubesse de verdade...
Nossa!

Há um ano e meio.
Parabéns, minha filha.
Eu te amo.
Muito mais do que você um dia vai poder imaginar.