Verborragia

quinta-feira, maio 11, 2006

Rasgando dinheiro

O primeiro texto com o qual eu gastei uma aula, um disquete e uma ida à
internet paga “de verdade”, hoje já nem é mais pertinente.
Contava as agruras do meu final de semana de “folga” em que eu resolvi expor
a figura por aí e fui brindada com uma dor excepcional e um dia de pronto
socorro. O final de semana não só já passou como já existe outro chegando.
Ando bastante impressionada com a rapidez com que as semanas andam passando
e o ano anda correndo.
Talvez a única coisa que permaneça do outro texto é que eu voltei a ter dor
de novo e tenho que tomar coragem para marcar a supermédica para fazer o
fabuloso exame invasivo no meu ser e resolver meu probleminha. O problema é
quando eu penso no probleminha já sinto calafrios. Não sou uma boa paciente,
confesso. Tive que esperar sentir dor de novo para me convencer de que a
coisa é realmente digna de ser tratada e o prognóstico é que eu me sinta
exatamente como naquele quadrinho antológico da Radical Chic em que o médico
manda ela cortar massas, café, refrigerante, chocolate, frituras, blábláblá
e ela pergunta “E os pulsos?”...
Imagina uma pessoa como eu que se alimenta declaradamente mal, que só gosta
do que engorda e não presta, tendo que cortar toda a base e o suporte da sua
pirâmide alimentar... A única coisa boa nisso tudo é que pode ser que assim,
na marra, por causa de uma dor muito, muito desagradável, eu consiga enfim
perder algum peso e ficar mais fininha...

Pior é quanto mais dói e menos eu posso, mais eu só penso em comer porcarias variadas... Morte ao queijo minas!

Na verdade, vim aqui gastar meu tempo e meus neurônios porque me peguei
pensando de novo em assuntos do coração.
Ontem minha mãe viu uma foto no jornal de um ex-colega de classe meu. Ex
mesmo porque a gente não se fala e nunca foi amigo de verdade, então isso o
qualifica até como conhecido distante, nem colega de verdade. O lance é que
quando eu tinha lá meus 11 anos e a gente estudava junto eu era apaixonada
por ele, e até hoje existem pessoas que me conhecem e sacam do fundo
bauzinho delas aquele “então você que gostava dele!!!”. A uns quatro anos
atrás cheguei a ouvir até um “sai dessa” relativo à essa pseudo paixão
pré-adolescente. Gente! Tinham passado aí uns 15 anos!!!
E eu continuo marcada como a garota que gostou do fulano.
E parei para pensar num outro fulano, cujo um amigo conheci a pouco tempo e
me saiu com a mesma frase “você é a garota que gostava do fulano”, coisa que
aconteceu a uns bons 6, 7 anos atrás.
Parei pra pensar nas pessoas que me conhecem como a ex do beltrano e do
sicrano.
Porque essas coisas têm que ficar marcadas pra sempre nas nossas vidas?
O beltrano eu namorei a belos 12 anos atrás.
O sicrano a 6.
É muito tempo de estrada.
É passado.
Ta morto e enterrado.
Eu nem lembro mais como é namorar, que dirá de como era namorar qualquer um
deles. E ainda assim essa coisa vai estar carimbada no meu “profile” para
sempre.
Já imaginou?
Minha festa de 75 anos cheia de gente que ainda vai lembrar e se referir a
mim como a ex do beltrano?
Cruzes...
Eu já tenho várias coisas carimbadas, mãe, carioca, mulher, estudante,
gorda, fumante, blábláblá e muito me incomodei quando descobri mais essa no
meu passaporte. Até no que diz respeito a coisas novas. To achando um saco
essa onda de carimbo.

Não sei mais se quero viajar dia 20.
Por mais que esteja morta de saudades de tudo.
Não sei...

Pode-se dizer que eu estou sofrendo de uma falta de esperança crônica no que
diz respeito a mim mesma, e em relação a todas as áreas da minha já tão
enfadonha vida. Sempre driblei a falta de esperança e perspectivas e, bom,
como é óbvio o bastante, sobrevivi e refiz tudo de novo. É a famosa época do
copo vazio. A diferença é que dessa vez eu não quero nem reclamar, sabia?
Já reclamei, já chorei, já esperneei, estou tendo a somatização mais
dolorosa de toda a minha vida, mas o que passa todo mundo já sabe e o jeito
só vai caber a mim.
Às vezes eu queria saber lidar com as coisas e resolver as coisas de forma
rápida. Ser adepta do descartável. Conseguir me livrar com mais facilidade
de coisas, pessoas e situações ao invés de precisar do meu tempo de luto.
Meu tempo de luto me enche de forças de novo sempre, mas é demorado,
doloroso e eu penso muito.
Também adoraria, às vezes, não pensar tanto.
Por mais que eu diga que faço campanhas particulares pelo meu
emburrecimento, não passam de placebos. Jamais serei tão burra quanto às
vezes gostaria ou às vezes gostariam que eu fosse.

Na real, fora tudo mais que eu quero, penso e preciso, o que eu queria e precisava mais no mundo no momento era de um amigo homem. Um amigo daqueles que você pode ligar de madrugada para chorar tuas pitangas, que te leva no médico e em festas de família, sai com você pra tomar chopp e ir ao cinema, dorme pelado do teu lado e não tem segundas intenções.
Alguns desses me abandonaram, os dois melhores estão morando longe, outro tem uma namorada que tem ciúmes logo de mim, imagine, outro tá brincando de Glauber Rocha em algum longíquo da Europa, outro trabalha tanto que não sabe mais nem que nome tem.
Eles existem, só não andam sendo meus amigos homens.
Preciso de um novo.
Com direito de posse.
Para me paparicar sem fim e me fazer cafuné de madrugada.
Sem intenção de nada de coisa nenhuma.
Já que jamais existirá outro como aquele que eu tanto amo ainda e que vejo tão pouco, preciso de um novo.
No momento, era tudo que eu queria.

Mais que flores, sorrisos e beijos.

Falemos de coisas mais agradáveis.

Depois da segunda mão de tinta, vou poder dizer que, sim, voltei a ser
morena conforme prometido. A parte triste é que agora a raiz do cabelo ficou
exatamente no tom que eu queria desde o início, mas isso vai ficar pro
próximo verão.

E a minha festa de Dia das Mães?
Foi tão linda, tão emocionante e tão minha que eu nem vou escrever aqui.
Vai continuar sendo minha.
Só minha.

(exercitando meu egoísmo)

É bom que eu exercite isso um pouco.
Apesar de achar que primeiro preciso achar meu ego para depois brincar com
ismo...

Ta bom de papo furado, né?
Deu pra matar a crise de abstinência.

É sinistro, mas é verdade, se eu não escrevo fico entalada.
Dá crise.