No meio das panelas
Agora eu tenho as tardes de quarta-feira para mim.
Num primeiro momento, até pensei em aproveitar o quase sol que está lá fora para ir até a praia, me misturar ao povo que tem quartas-feiras livres, dar um mergulho nesse nosso mar limpinho e encher a bunda de areia.
Acontece que eu estou numa semana mix de bode com TPM que está o bicho.
Executar esta tarefa ia dar um trabalho quase colossal ao meu estado geral de ser, curtir o espetáculo de uma casa silenciosa e ociosa como a moradora me pareceu muito mais proveitoso.
Eu tenho isso, quando estou neste estado, minha cama é meu palácio.
Tarefas vitais foram executadas também e lá fui eu ao encontro do meu livro da vez (que, confesso, neste estado não está sendo fácil de ler visto que ele trata justamente de relacionamentos falidos e problemáticos e eu ando com problemas quase que filosóficos ao redor da persona e de relacionamentos), ao meu edredom companheiro e ao sono que, com certeza, viria.
E veio.
Até que...
"Vermelhô, o amor...!"
...Bem alto nos meus ouvidos.
Festa da semana da criança na creche do lado de casa.
Agora que eu tenho uma criança, que inclusive está lá na festa dela na creche dela, eu não deveria mais ficar com os nervos aos gritos por causa dessas festas. Mas fico. Esse raio desse professor de música desafinado do inferno atrapalhou meu descanso mais uma vez!
Aliás, atrapalhou tudo!
Porque com tanto berro e tanta música de qualidade duvidosa, nem ler eu consigo.
Por isso que é muito, muito bom que o seu filho não estude do lado de casa. Claro está que eu ainda gostaria de saber quem foi o espírito sem luz que apresentou a Xuxa pra ela (aqui em casa, nem quando eu estou doente, à beira da morte, esse programa é permitido), mas você nem toma conhecimento das festinhas. Elas não te incomodam. E a escola da minha filha ainda tem o seguinte: mãe só pode ir na festa do Dia das Mães, no resto do ano um beijo e até loguinho - o que, por um lado é mega injusto e infeliz, mas por outro...
Meus quebra-cabeças também não estão contribuindo. Só meu deixaraam em situações sem chance de jogada.
O telefone paquerado, como é de lei, não toca.
Então eu resolvi desistir e adiantar o jantar e o almoço de amanhã.
Agora é assim: no tempo livre ou eu lavo roupa, ou cozinho.
Como a roupa está ok, panelas.
Eu sou uma mãe inventiva.
Pelo menos, tento.
Minha filha está numa fase em que adora comer macarrão e arroz, aí lá vou eu, pôr cenoura, milho e coisinhas saudáveis que nós mães achamos que as crianças todas devem comer e acabam comendo na marra para quando virarem adultas resolverem só viver de junkie food. Me pego pensando que ando louca de paixão por um arroz colorido (sem trocadilhos) que vende na Casa Pedro e como seria divertido comprar para a Licas. Desisto no exato momento em que me toco que ela provavelmente vai implicar com essa coisa de ter um arroz verde ou roxo dentro do prato e que eu que vou ter que comer o pacote inteiro da iguaria.
Muito pensamento de Dona de Casa, né?
Próximo alvo a ser atingido: o purê de batatas perfeito.
Procurar receitinha na internet só pra entender se eu faço direito ou falta alguma coisa. Hoje em dia tem disso, qualquer bagulho existe na internet. Vide este texto...
Com algumas quartas livres, algum dinheiro e saco, talvez me torne uma cheff caseira exemplar.
Depois, pegar a Licas no colégio e voltar andando.
Uma vez por semana eu faço isso com ela, porque ela vê os coleguinhas saindo de carrinho e fica querendo também. Aí eu prometo, quando a vontade fica preta, e no dia seguinte eu cumpro. Eu tenho isso também, não aprendi em nenhum manual, quando eu prometo alguma coisa pra ela eu sempre cumpro. Acho importantíssimo que desde já ela tenha certeza de que pode confiar em mim quando prometo algo. Aliás, a maioria da humanidade pode, mesmo que às vezes eu descumpra certas promessas como qualquer ser humano.
Aí lá vou eu...
Depois vou ver meus amigos.
Porque se eu não for, não vou mais.
Quando este estado vem, bate, ou eu me forço a sair e socializar e esquecer e espairecer e... ou deito e fico. E eu não posso mais deitar e ficar.
Apesar de não estar com vontade, combinei duas saídas off criança neste feriado.
Só para sair.
Não posso nem quero gastar muito dinheiro.
Não posso nem quero beber.
Não quero sair, mas isso eu posso.
Eu acho.
Enfim...
Ao purê.

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