Verborragia

quinta-feira, maio 05, 2005

Mãe Comercial, Carente e Possuída

Datas comercias me afetam psicologicamente.

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Natal, Dia das Mães, Dia dos Namorados...
Essas datas acabam comigo.
Seduzida pelos comerciais? Claro. Humana como todo Mundo (ou quase todo Mundo).

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Mas, Natal...
Natal eu já expliquei no Natal.

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Dia dos namorados, então.
Fazem uns quatro ou cinco anos que eu não tenho namorado no Dia dos Namorados. Enquanto as pessoas estão nervosas comprando flores e bombons e outros badulaques e decidindo onde jantar e que calcinha rendada usar e como eles poderiam viver sem estresse de se estressar com essa data mesmo quando o parceiro diz que não se importa com ela, mas vai cair de pau em cima se você esquecer de dar uma margaridinha que for a ela; eu não passo por isso.
Fico à procura de algum programa que seja legalzinho, onde eu vá encher o pote e que talvez me renda uns beijinhos na boca de algum outro solteiro na merda feito eu.
Na merda, sim.
Porque quando esse dia medonho chega você já está sendo bombardeado a mais de um mês com comerciais de gosto extremamente duvidoso que insistem em te lembrar que você vai passar o dia e a noite daquele dia sozinho, que você não é excelente o suficiente para ter qualquer merda do seu lado naquele dia, que ninguém te ama e vai te dar uma margaridinha e que você vai envelhecer na merda.
Pelo menos é mais ou menos por aí que eu me sinto.
E a cada ano que passa eu posso começar a acrescentar outros elogios e pensamentos bacanas a isso tudo.
Amos e convenhamos, um ano, normal; dois, tudo bem; três, preocupante; quatro, senta e chora; quinto, uhmmmmmmm; sexto ano SOZINHA, ninguém te ama e vai te dar uma margaridinha e você vai envelhecer na merda.
Me diz que isso não meche com a auto-estima de uma pessoa?
Diz.
Todo mundo de mãozinha dada, dando beijinho, jantando juntinho, rapazes carregando buquês de flores e você lá, sozinha, caindo de boca num sundae de chocolate...

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Já o Dia das Mães sempre me deixou caída, sei lá porquê.
É uma data sentimental.
E esse ano ela está me deixando em crise porque a) eu sempre fico mal no Dia das Mães b) já é o segundo Dia das Mães que eu sou mãe (ano passado ela ainda estava inside, mas eu já era mãe, ou, pelo menos uma incubadora) e que eu não vou ganhar nem um presentinho!
Pra quê presentinho?
Dia das Mães não é todo dia?
Ah, olha aqui, filosofias bonitas à parte, Dia das Mães é todo dia, sim, mas é que nem o sentimento pelo Dia dos Namorados; aquele bando de mãe ganhando presente, indo jantar, esbanjando sorrisos e eu...?
Eu vou jantar.
Eu vou dar presente para a MINHA mãe.
Mas e eu...?
Eu mereço um dia MEU, que não seja aniversário e onde as pessoas se lembrem de fazer elogios à mim e façam valer todos os calos nas mãos que eu ganhei e todas as aspirinas que eu já tomei para as dores na coluna.
Mereço um dia em que EU seja devidamente mimada.
Comercialmente ou não.

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Quem mandou fazer tudo errado, hein...?

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Eu quero mais é que a Olívia entre logo pra escolinha para fazer pecinhas desarranjadas e presentinhos capengas pra mim nessa data comercial.

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Eu ando bastante revoltada com a falta de retorno pelas coisas que eu faço pelas pessoas. Revoltada com a falta de mimos, de carinho, atenção e com o fato de que a minha analista vai tirar férias agora e eu vou passar um mês pensando um monte de coisa que não presta...