Verborragia

terça-feira, novembro 08, 2005

Da Superexposição

Se eu não devasso a minha vida (ainda que a vida em questão seja fictícia e nada condizente com a realidade), alguma outra pessoa possui este direito?

Se eu não devasso a vida da MINHA filha, alguma outra pessoa possui este direito?

Quando eu comecei e escrever o primeiro blog, realmente eu explanava minha vida toda pra todo mundo. Onde fui, o que fiz, com que fiz, que eu amava, o que pensava, quem eram meus amigos, o que vestia, o que comia...
Mas, depois de um tempo, eu passei a resumir a poucas coisas os escritos aqui publicados.

As coisas mais íntimas permanecem íntimas.

Muitas e muitas coisas que até mereciam estar aqui escritas, não estão, por uma questão até de respeito pelas outras partes envolvidas.

O negócio é fofoca?
Se eu contar alguma coisa concreta, se abrir um pouco mais minhas janelinhas de novo, as pessoas vão ter menos medo de mim e me deixar em paz?

Porque paz é a palavra da hora.
Passei maus bocados, agora a vida está entrando nos eixos aos poucos.
E o que me interessa é paz.
É seguir em frente.

Meu ritmo sempre foi mais lento do que o da maioria das pessoas.
Eu demoro a aceitar certas peças da vida.
Demoro a deixar as pessoas irem, por mais que elas me façam mal.

Mas sempre fui honesta com meus sentimentos.
Sempre fui ética e correta.
Sempre fui boa.
Boa não quer dizer que eu seja uma santa, porém.
Eu erro, sim.
E já magoei algumas pessoas e agi errado com outras.

Costumo me apaixonar rápido, mas demorar a esquecer.
As pessoas que eu erroneamente escolhi até hoje, porém, sempre souberam disso.

Eu não minto.
Nunca soube mentir.
Acho que dá muito trabalho e acredito piamente naquela coisa de “mentira tem perna curta”.

A gente pode enganar uma pessoa por muito tempo, não várias.

Eu estudo.
Porque gosto.
Porque uma mente em trabalho, aprendendo coisas, é sempre muito mais interessante que uma mente vazia.
E porque preciso.
Porque quero poder dar à minha filha TUDO que ela quiser e que eu achar necessário à vida dela.

Materialmente falando, sim. Ou vamos ser hipócritas, mais uma vez, e fingir que nada disso importa? Ninguém morre sem certas coisas materiais, mas que nós nos importamos e queremo-las sempre, ninguém pode negar. E qual mãe vai dizer que não quer dar tudo que a filha for pedir, hein? Não quer dar a ela os melhores colégios, as melhores roupas, o melhor?
Excetuando-se alguns casos, todas as pessoas do mundo, do mais pobre ao mais rico, querem isso para seus filhos.

Porque agora, virou mandatário deixar de esperar e ter um lugar só nosso com um espaço só dela.

Trabalhar fora de casa, de forma remunerada, eu não trabalho ainda. Estou à procura, mas tenho a Grande Sorte de ter uma família que me apóia e me sustenta e fez com que fosse possível que eu me dedicasse exclusivamente à minha filha neste primeiro ano de vida de vida dela, o que, no futuro, vai ser mais importante do que muita gente pensa para ela.
Mesmo assim, todas as tarefas da casa são por minha conta.
Da casa e do bebê.
Se eu não fizer a comida ou lavar as roupas, ninguém vai fazer por mim.
Essa semana eu parei para fazer as contas e cheguei à conclusão que, só por isso, eu deveria ser muitíssimo bem remunerada e meu trabalho deveria ser muito melhor reconhecido.
Erra quem pensa que eu não trabalho. Diria que até mais, uma vez que o seu trabalho tem hora para começar e terminar e o meu não.

E até por causa desse trabalho todo, às vezes eu falho.
Falho em brincar e cantar e dar cambalhotas porque este trabalho cansa.

E essa é minha maior falha enquanto mãe.

Porque eu me considero uma mãe excelente, obrigada.

E não admito que ninguém fale o contrário.

A maior prova disso é que ela é saudável, feliz, uma criança excelente!

Eu sempre quis, não estava preparada (até por ter certeza de que eu jamais poderia parir de fato alguém) e tive que me adaptar como qualquer outra pessoa quando é pega de surpresa.
E tenho me saído muito bem.
Melhor do que eu esperava, inclusive.

Falta grana?
Falta.
Eu não sou rica.
Mas também não vivo debaixo da ponte e nem nunca, se depender de mim, vai faltar nada para a minha filha. Deixo de comprar coisas que gosto e/ ou quero, deixo de fazer programas que gosto e/ ou quero como qualquer pessoa de classe média hoje em dia. Justamente para que a nossa vida seja confortável, que é a vida que eu levo.

Depois de muitos anos, comecei a aceitar que não se podem agradar gregos e troianos. Desisti de agradar gregos e troianos.

Comecei a me respeitar.
Como mulher.
Como mãe.
Como pessoa.

Hoje, respeito minhas vontades, meu ritmo, meu corpo e todas as limitações que tenho.

Já me apaixonei de novo.
De tremer as pernas e o coração apertar.
De chorar a falta.
De sentir saudades.
De ter ciúmes.
De rir uma felicidade imensa.
De ter um gozo pleno.
De acordar junto.
De todas as coisas da paixão.
Inclusive, a despedida dela.
Foi rápido, mas bom, deixou um amigo e saudades.
A certeza de que mereço uma coisa muito boa.
A certeza de que posso sentir isso tudo de novo.
A mais importante certeza de todas, a de que estou viva.
Sentindo.

Hoje, estou aberta a possibilidades.
Pode não parecer nada, mas a alguns meses isso era impensável.
Dava medo.
Eu não tinha forças.

E isso, hoje eu tenho de sobra.

E não preciso exibir nada.
Provar nada.
Dizer nada.
Expor absolutamente nada para ter certeza disso.

Não tenho a menor necessidade de ficar escrevendo repetidas vezes que estou feliz para ter certeza disso. Como eu já escrevi aqui um dia, escrever é muito melhor quando você está infeliz porque ajuda a pôr as idéias no lugar, quando a felicidade bate a melhor coisa a se fazer é aproveitá-la e não ficar explanando ela pro mundo ou a expondo aos olhos de quem quiser. A felicidade é pessoal. A meu ver, a ser dividida com as pessoas que a gente ama, não uma coisa que a gente deva dar satisfações de estar sentindo.

Pronto.
Posso até dizer que já fiz meu balanço de Ano Novo.
A parte pessoal, claro.

Porque faltaram coisas...

Vi muitos filmes.
Li bastantes livros.
Aprendi bastante coisa.
Imagino todos os dias se algum dia estarei livre das “meias do Pinda”.
Voltei a fazer planos.
Voltei a executar estes planos.
Ah, poxa!
Um ano tem 12 meses.
Em 12 meses muita coisa acontece e muito rápido, e a gente tem mania de achar que pode resumir tudo em 3 folhas de Word!
Eu mal acabei de me preocupar com o aniversário da Liloca e já tenho que pensar no Natal, nesse meio tempo já me perguntaram sobre o Carnaval, esquecendo que ainda tem o Ano Novo no meio, e isso são só os feriados de fim/ início de ano!
Num dia só, acontecem muito mais coisas do que é possível por em 3 páginas de Word se formos detalhar cada e qualquer passo.
Se resolvermos nos ater às coisas de maior importância, talvez fosse uma página só.
Não sei...
Acabei de perder o fio desse pensamento.
Além do quê, acho que o que eu escrevi hoje já dá material para algum tempo, não?