Dia da Mulher? Arrã. Sei.
Não! Pra animar a minha vida, como se já não bastasse mais um dia em que eu não consegui me acertar com a faculdade, o vácuo na mente e meu “bom dia sunshine” de hoje, ainda recebi a visita do meu pai.
Do nada, ligou, “vamos pegar a Olívia no colégio juntos então”, me deixou de molho duas horas e apareceu. Lindo ele aparecer assim, todo mês, de surpresa porque quer ver a neta. Morro de pena porque ela não dá a menor pra ele nunca, mas fico feliz porque acabo sabendo notícias da família e coisa e tal.
Aí vem ele:
- Puxado esse horário da creche, hein?
- Eu sei, pai, o que você quer que eu faça? Eu não tenho babá, ninguém que fique com ela por mim, então ela precisa ficar lá enquanto eu estudo.
- Não tinha uma mais perto?
- Perto daonde? Essa é perto da minha faculdade, além domais eu já tinha pago dois meses de creche não ia procurar outra agora...
- Mas, poxa, coitada...
E por aí foi.
Caramba, eu já sou um ser que para me remoer de culpa não precisa muito. Até parece que eu não fico com o coração apertado quando chego para buscá-la e ela está lá com mais duas criancinhas só e solta aquele “êêêê!!!” de felicidade quando vê que eu não deixei ela lá para sempre!
Morro, me rôo, me contorço.
Lembro de quando eu era criança e de como eu achava ruim pra caramba chegar em casa já de noite. Eu ficava de mau humor. Ela também fica, tadinha.
Fico me achando a pior mãe do planeta.
Mas eu preciso estudar para arrumar um emprego bacana, sair de casa e poder pôr em prática meu milhão de planos. Até porque todos os meus milhões de planos (talvez excetuando-se um ou dois) são para dar uma vida bacana para ela.
Aí que eu não preciso mais gente no meu pé me enchendo de culpas que eu já tenho!
E fiquei bem danada dessa aparição típica dele.
Meu dia só foi salvo por uma travessura...
:)
Ano que vem eu vou passar o Dia Internacional da Mulher no Alasca.
Porque aí, pelo menos, vai ser internacional de fato.

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