Verborragia

quarta-feira, março 22, 2006

Pois é...
Foi um dia daqueles.
Daqueles em que você acaba desejando não ter tido a infeliz idéia de pôr seus horrorosos pezinhos para fora da cama, em que bate o arrependimento de não desligado o despertador, o bebê (no meu caso), puxado as cobertas por cima da cabeça e ter continuado dormindo até amanhã.
O primeiro indício foi o pente.
O pente sumiu, a escova quebrou, a hora era contada e enquanto eu tentava me arrumar havia uma criança possuída andando pela casa se desarrumando e louca para sair aos berros. A criança gritava, eu gritava, o cachorro latia, o cabelo quebrava e embaraçava ainda mais, a mãe acordou... Foi um carnaval!
Tão carnaval, que eu saí super atrasada para a vida e já com um dos meus compromissos perdido.
No portão, mais um embate.
Olívia está numa fase sinistra. Além do grude extremo por causa da nossa separação de corpos (creche/faculdade), começou já aquela coisa de testar todos, TODOS os meus limites.
Mãe é santa, mãe tem saco, mãe tudo isso aí, mas mãe também é gente e essa aqui ultimamente briga diariamente com a pequena filha porque a pequena filha está difícil. Finge que não ouve os "nãos" o tempo todo, é chantagista e aprendeu a fazer manha. Pior que isso, aprendeu a fazer manha no meio da rua.
Cara, eu acho feíssimo criança que faz manha no meio da rua.
E sempre, sempre, para ajudar meu horror à situação, quando eu estou lá levando aquele lero de todo dia tipo "Olívia, pára com isso, levanta!" passa alguma velhinha horrenda e manda o clássico "ah, mãe, dá colo pra ela...".
Porque tem isso, ela esperneia, bate pé, senta no chão, chora aquele choro sem lágrima, tudo para que eu a leve no colo. E eu sempre argumento com ela que eu não consigo levá-la no colo o caminho todo, que ela já anda e pode me dar uma ajudinha, blá, blá, blá. Porque sério, eu não consigo. Eu saio de casa todo dia com a bolsa dela, a minha bolsa, ela, eu...
Eu não sou uma mãe tão permissiva quanto alguns acham, nem tão molóide.
Modéstia à parte eu sou uma mãe do caralho.
Mas manha na rua me tira do sério.
Eventualmente meu pânico cresce a um nível em que eu acabo pegando ela no colo como ela quer, até porque geralmente temos hora então também não posso ficar nesse rame-rame eterno de senta, levanta, anda, senta, chora...
Mas aí quando pego também já estou puta da vida (sim, mães também ficam putas com seus filhos e isso é normal) e aí desço a rua dando-lhe um senhor esporro.
Claro também que quando a gente entra no ônibus eu já pedi abraço e fiz as pazes.
Hoje não. Com a vida atrasada, e a manha, fui brigada com ela até a casa da minha avó.
De lá saí disparada para o Leblon.
No meio do caminho, excelente, esqueci o cigarro em casa, tive que parar e comprar um novo maço e um novo isqueiro.
Minha carga de irritação só fazia aumentar.
Mas tudo bem, eu tava indo pro Leblon para a minha santa seção de terapia. Primeira santa seção em um mês. Devo ser a pior paciente dela de longe ultimamente. Mas foi bom, eu estava precisada. Saí até mais leve.
Mas também não durou muito, não.
Foi almoçar (um sanduíche) para não repetir a falta de senso de ontem e não cair no meio da rua para voltar tudo, uma vez que tinha que sair feito uma louca para pegar a Licas e levá-la na creche. No Jardim de Alá soube que minha tia já me esperava na portaria, a quatro quadras de distância com a criança a postos. Ou seja, ainda cheguei lá e ouvi que estava atrasada.
Claro, claro...
Atrasada para a vida.
Era a frase do dia.
Deixei madame no colégio e fui eu varada para o meu.
Okay, aula de economia.
Xerox do texto. Que texto? Precisa mesmo? Nome fora da pauta. Aí o bicho voltou com força total e eu fui que nem um furacão para a secretaria. Aparentemente, até hoje, eu não existia na faculdade. Pelo menos não nas matérias que eu já venho fazendo a duas semanas. Que tal?
Fim da aula, voei de volta para lá, não aguentei, dei um show de grosseria, e, infelizmente consegui resolver minha vida acadêmica finalmente. Ainda assim saí de lá soltando fumaça pelas narinas repetindo para mim mesma que não queria mais fazer porra de faculdade nenhuma.
No meio do meu caminho, toca o celular. Era a professora da Olívia pedindo que fosse buscá-la mais cedo porque ela está com outro problema no olho ao qual eu não tinha dado muita pelota porque achei que era decorrente da gripe da semana passada. Vim correndo em casa catar pediatra, oftalmologista, mãe, padre, qualquer coisa e lá fui eu. Ainda consegui, nesse meio tempo, ter uma notícia nada agradável para mim.
No ônibus, minhas forças acabaram.
Quando a minha mãe ligou não aguentei e comecei a chorar no meio do coletivo.
Peguei a Licas e tive que ficar esperando minha tia que não tinha sido avisada de nada. Aparentemente, tem um treco lá, sim, mas ela tá bem.
Quem estava um caco era eu, que às 8 da noite estava exausta, arrasada, de saco cheio de tudo e querendo fugir pro Alasca.
Às 22:30 comecei a ver que, apesar dos pesares, tinha resolvido tudo que aconteceu hoje bem. Meia noite, tudo melhorou de vez e eu fiquei melhor.
Quase duas e estou feliz.
Arrasada, mas feliz.
Mesmo sabendo que meu dia amanhã começa ceeeedoooooooo numa fila de consultório.
E ainda é só terça-feira....