Verborragia

terça-feira, abril 04, 2006

Blábláblá

Quando a gente bota o filho na creche devia vir junto com o aviso de que ainda tem taxa de material e de uniforme para gastar um bilhete avisando que a conta da farmácia ainda vai aumentar numa proporção surreal e que a gente vai perder mais um batalhão de noites sem dormir.
Normal. Bactérias. Criança em contato com outras crianças. A fabulosa transformação de bebê lindo glamouroso em bebê melequento e sujo. A gente sabe, presume, essa parte é plenamente divulgada, que o nosso maravilhoso bebezinho vai começar a fazer mil coisas fantásticas sem a nossa presença e que ela vai pegar todas as doencinhas de criança.
Agora, meu bebezinho lindo maravilhoso melequento e sujo está cá melequenta e suja desde o carnaval. Tosse, tem febre. E o pediatra zen dela (que é uma figura excelente e ela adora e eu adoro mas, às vezes, é zen demais pro meu jeito alopata de ser) semana passada quando eu baixei pela terceira vez no consultório me disse que era assim mesmo, que além das bolinhas de homeopatia não existia nada que eu pudesse fazer de fato, que ia passar, blábláblá. Pra variar eu quase chorei quando ele disse isso...
Aí que ontem meu bebê acordou fervendo de febre de novo.
Aí que não bastasse eu passar o dia alternando entre a banheira e o sofá e termômetro com o coração na mão, a família quase tem um treco junto.
Aí hoje lá vou eu de novo:

- Rômulo, Renata.
- Ah quanto tempo...!!! Hahahahahaha
- A criança continua com defeito, Rômulo! Tem que consertar!!!

Sendo assim, papo de coco, essas coisas de mãe, e finalmente ele receitou um antibiótico pra bichinha (que eu resolvi tomar junto porque eu também ando bichada que nem ela, a diferença é que ela não quer comer absolutamente nada e eu continuo comendo muito bem obrigada). Eu sei, antibiótico é punk, mas mais punk é ficar vendo o tempo passar e nada da bichinha melhorar. Fico me sentindo derrotada. Como se meus poderes de mãe maravilha fossem uma porcariazinha de nada. Além do quê, eu não posso ficar em casa com ela para sempre e ela não pode deixar de ir à creche toda hora.
Agora sinto que ficaremos 100% saudáveis em breve!
Eu tento, mas minha alma é hipocondríaca e fã incondicional da alopatia, não tem jeito.

Um filho é um ser capaz de transformar qualquer ser humano em retardado completo. Jamais me imaginei ligando freneticamente para o pediatra. Jamais imaginei pessoas, como um conhecido que eu tenho muito na dele, imitando pequenas criancinhas correndo. Jamais imaginei que ao menor sinal da palavra “bebê” eu começasse uma conversa de 3, 4 horas, do tipo que só termina porque as outras pessoas têm vida ou a sua vida te chama de volta. Muda tudo. Muda bem.
Dá sentido a tudo.
Mas, definitivamente, faz de nós seres humanos muito mais retardados.
E dependentes.
Porque a gente acha que eles que dependem da gente...
Balela, nêgo...
Balela...

Aí que essa semana começam as minhas provas.
Aí que eu me sinto absolutamente despreparada e desmotivada.
Aí que as aulas mal começaram e eu nem fiz amiguxos ainda no “colégio”.
Tudo bem que essa parte foi por simples e puro desinteresse no assunto....
Desconfio que não vou me sair lá muito bem...

E o fim de semana, depois do trauma, acabou sendo mais ou menos.
Mais ou menos porque depois do trauma eu queria uma coisa tipo “agito nível quando eu tinha 15 anos” e acabei num “agito nível eu sou balzaca e tenho filhos” com o meu caasal preferido.
Ao invés de um pé sujo, descolei um pé limpíssimo.
Ao invés de cervejinha barata, caipisakê, coisa de alcoólatra muderno e rico.
Ao invés de expor a figura, luz baixa e várias pessoas “nível balzaca e tenho filhos” em volta.
Não foi ruim.
Sair com os amigos e pôr os papos em dia nunca é.
Mas não foi nível 15 anos...

Domingo choveu.
E teve o novo episódio febre.

De qualquer forma, não posso dizer que fiquei chateada porque sou uma mulher esperançosa e desconfio que o próximo fim de semana me reservará momentos nível 15 anos.
(Que viagem... Ainda é segunda-feira, o fim de semana mal terminou e eu já planejo o próximo...!)
Se eu tiver certeza nem viajo.
Ai é, meu pai.
Querendo visita.
Não seria má idéia se não fosse péssima.
Não decidi ainda.
Mas é muito mais pra não do que pra sim.
Sim agora eu só digo pra minha filha e pros meus amigos.
Meus maiores tesouros.

O que seria da minha vida sem eles?

(Da sua eu não sei, só posso falar da minha...)

Tudo ainda não deu, mas é bom ver que em alguns assuntos eu consigo manter minhas decisões mentais para comigo mesma.

No mais a vida adulta é chata.
Cacete mesmo.
Mas também passa, né?
E a gente ainda pode ficar retardado de vez em quando, esquecer que tem contas a pagar, responsabilidades monstras, rir do nada, chutar o balde, gostar de bichinhos fofos... Aí passa tudo e a gente fica velho gagá, de fraldinha, esquecendo de tudo, gostando de bichinhos fofos, fazendo mil besteiras, que nem os nossos bebezinhos de hoje!

Larguei mão do sofrimento.
Deletei.
Resolvi ignorar.

Só não vou usar fraldinha ainda...

Chega.
Já “falei” muito hoje.