O Rio de Janeiro continua um lixo
Logo eu, que sou nascida, criada e até a pouco era jurada que ia morrer nesta cidade...
Ando pelas ruas e não consigo mais achar aquela beleza que eu tanto gostava; as pessoas, em sua grande maioria feias e sujas e mal humoradas; as ruas, em sua maioria feias e sujas e tristes contrastam com toda aquela beleza que eu antes via.
Ah, o lixo ainda me seduz, ainda tem o seu charme decadente e feio e sujo, mas não todos os dias, não mais em todas as horas.
O dia-a-dia da sujeira, do ar (nem o ar é mais o mesmo), só me faz querer ir embora mais e mais a cada dia.
Outras cidades, outras sujeiras, outra vida...
Querer é um começo, poder é outra história...
À noite é quando o lixo me seduz.
Noite limpa perde o sentido de noite.
Noites belas não cabem nas noites de grandes cidades e de bairros já tão conhecidos pela sua decadência, por seus personagens obscenos, pela atmosfera que eu acho que uma noite numa grande cidade deve ter.
Suja, decadente, obscena...
Noites sujas podem ser cenários tão perfeitos e tão bonitos quando noites limpas e estreladas.
Por mais que eu queira mais as noites limpas e estreladas.
A redescoberta das noites e da falta física que elas me fazem é uma boa descoberta.
Volto sempre a elas.
Sou feliz nelas.
Mesmo quando não estou feliz fora delas.
Rápido alento.
Rápidas felicidades.
Rápido tempo.
O tempo é um cara sacana...
Definitivamente deve se rir de mim como uma criança quando vê uma bolha de sabão no ar.
O tempo não foi feito para as pessoas que querem, querem muito e querem agora.
Para as pessoas que não sabem esperar.
Ele ri de mim.
Mas meu tempo passa como o tempo de todas as pessoas.
Passa e muda as coisas.
Mas nem por isso ele ri menos, porque eu nunca vou deixar de querer, querer muito ou querer agora.
De certas as coisas a gente desiste com o tempo...
E com a idade, porque não?
E eu ainda sofro com o passar do tempo porque carrego a ansiedade da juventude que passa, mas permanece.
Pelos meus cálculos, essa angústia, o apreço pelas mudanças físicas e psicológicas, ainda deve durar bem uns dois ou três anos... Depois não vai mais fazer diferença.
Jogo vencido, jogo perdido.
Nada que eu possa fazer.
Sobre eu nada.
Sobre eu resta saber que as festas juninas se aproximam e eu gosto de festas juninas.
Que vou, mais uma vez, aniquilar minha frustração por ter pudor de sair vestida de caipira na rua aos não te interessa quantos anos vestindo minha pobre bebê numa linda e desconfortável roupa cheia de laços e babados. Que vou, mais uma vez, encontrar meus amigos, passar dias e dias me alimentando de comidas de procedência duvidosa e bebendo bebidas de procedência mais duvidosa ainda para depois me sentar e chorar de arrependimento por todos os milhões de calorias ingeridos. Que vou, mais uma vez, me perguntar de onde sai tanta gente nesse mundo meu Deus e prometer que ano que vem eu não vou mais a nenhuma festa junina.
E basta.
Sobre eu, silêncio.
Sobre eu, só a mim interessa.
Continuo viva.
Não quero dividir nada com ninguém.
Não por aqui.

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home