Verborragia

quarta-feira, setembro 13, 2006

Cinco da tarde

...Sabe aquele dia em que você tem um zilhão de coisas para fazer, se toca que está ficando doente e no fim do dia já não consegue mais se aguentar em si mesma de tanto espirrar?
Esse dia foi ontem.

Hoje, o dia começou cedo, muito cedo, cedo mesmo.
Café, remédio pra gripe, café da bebê, banho, roupa, corre, corre, corre.
Beleza.
Conseguimos chegar na hora para o oculista.
Eu fiz a estupidez de marcar horário para nós duas juntas, sem me perguntar quem ia ficar com a bebê enquanto eu estivesse na minha consulta.
O nosso Dr., ótimo, sempre demora, aí meu pesadelo matinal começou.
Eu não sou uma pessoa matinal.
Meus neurônios não funcionam em sua magnitude antes de meio dia, então, eu, a Mãe Monga, esqueci de pôr na bolsa da criança uma muda de roupa limpa e um par de fraldas, como é de praxe a qualquer mãe que vá passar um bom tempo na rua com seu rebento.
Resultado: enquanto esperávamos, Madame obrou.
E eu ia sair para ir na farmácia rapidinho, mas aí chamaram a gente.
Detalhe é que a criança encontrava-se felicíssima, correndo loucamente, fascinada com as pessoas e as pilastras, enquanto eu só via aquela criança correndo com aquela fumacinha atrás que nem no The Sims quando os bebês fazem cocô...
Enfim, nada demais.
Ela ótima, eu com grau maior.
Resolveram tudo rapidinho e uma das enfermeiras (que me disse depois que tinha 4 filhos) levou a criança pra copa para um lanchinho enquanto eu via as minhas coisas.
Mas aquele cheior estava uma coisa!
Nariz de mãe é treinado, não adianta.
Não conseguia relaxar...
Na segunda parte do exame ela ficou muito bem, obrigada, sentada no meu colo, e aí a fralda começou a vazar...
Eu saí de lá bem correndo com ela, me enfiei na primeira farmácia e comprei fraldas, desbravei a Praia de Boatafogo com ela e sua fralda que vazava em meus braços e camiseta, entrei nas Lojas Americanas, comprei um par de calças e estava a caminho do consultório da minha mãe quando a alça da minha bolsa arrebentou.
Cheguei lá despenteda, descadeirada e toda cagada.
Assim, com futum estranhado mesmo.
Troquei a criança, que continuava animadíssima, me esfreguei toda pra ver a situação melhorava, mas foi em vão.
Até aí ainda era meio-dia.
Ônibus para a Lagoa, neném na creche.
Ônibus para a Cidade.
Xerox de documentos. Ok.
Atrasada, descabelada, fedendo e faminta.
Página da internet que não carrega.
Queima daqui, pensa dali, deu-se jeito.
Rua de novo.
Cara, coisa mais complexa achar um orelhão no Centro!
Bem feito, quem mandou ser desesperada e gastar todos os seus créditos e depois não ter dinheiro para comprar mais, hein?
Minha relação com o dinheiro continua uma coisa complexa...
- Agora não posso, mais tarde eu te ligo.
Ah, mas vai ter que ligar mesmo...!
Ódio de relacionamentos interpessoais e do porquê disso tudo ser tão, tão difícil.
Fila do Municipal.
Só consegui lugares medíocres, mas antes medíocres que nenhum.
Metrô.
Casa.
Coca-cola.
Sanduíche.
Cigarro.
Ai, que delícia ficar descalça!
Desabafo rapidinho.
Cinco da tarde.
Preciso pegar a criança no colégio, fazer comida e me lembrar de comprar acetona.
Minha sobrancelha já juntou, mas só tem grana pra desbravar o território semana que vem.
Minhas unhas estão horríveis.
Meu cabelo, quase em estado de dread natural, sem contar essa cor de burro quando foge que eu não gostei, mas tem lá quem goste.
Muito suada, com nojo de mim mesma, mas sem tempo pruma chuveirada agora.
Dor na coluna.
Nariz escorrendo.
As quartas-feiras não têm sido minhas amigas.
E ainda são só cinco da tarde.
Hoje não tem "gostosa" que me salve o humor.
...Se bem que um colinho não era nada mal...