Verborragia

quarta-feira, março 09, 2005

Desrespeito em várias formas e etapas

(Reprodução da carta que eu acabei de mandar para os jornais.)

Sou proprietária de um aparelho de telefone celular da Nokia, cuja operadora é a Claro.
Este aparelho, um dia, de repente acendeu o painel e nunca mais apagou, o que fez com que a bateria não ficasse carregada mais de dez minutos e ele não funcionasse fora da tomada.
Meu primeiro problema foi conseguir uma segunda via da nota fiscal na loja da Claro.
Tenho um bebê de quatro meses que tive que levar comigo à loja. Lá chegando, o funcionário que distribui as senhas sequer nos olhou e quando eu perguntei se não havia atendimento preferencial me respondeu com um seco “não”, fazendo com que ficássemos numa enorme fila e com que eu não conseguisse a nota por falta de um documento.
Na segunda vez que voltei à loja, de novo com o bebê, não consegui a nota porque a impressora estava quebrada.
Na terceira vez, consegui. Para isso tive que me impor e fazer valer meus direitos, pois, mais uma vez, não existiu atendimento preferencial. Quando reclamei do fato, me disseram que as lojas da Claro simplesmente não possuem esse tipo de atendimento. O mesmo tipo de conduta foi repetido com outras mães com crianças de colo, deficientes e idosos.
Senti-me desrespeitada enquanto cidadã.
Então hoje fui, finalmente, levar o aparelho à única representante autorizada da Nokia no Rio de Janeiro. Mostrei o aparelho e os documentos e recebi uma nota em retorno e instruções para que ligasse na segunda-feira (hoje é quarta-feira) para saber qual seria o defeito e a solução para o meu problema.
O meu problema é o seguinte: o aparelho está na garantia, assim sendo, do meu ponto de vista, a Nokia deveria ou trocar imediatamente o aparelho por um novo (do mesmo modelo, claro, porque eu não sou gananciosa) ou, ao menos, me ceder um outro aparelho (até de modelo inferior, se fosse o caso) que eu pudesse utilizar enquanto o MEU aparelho está no conserto. Eu só quero que o aparelho funcione e eu possa utilizá-lo fora da tomada!
Ao expor este pensamento à atendente da loja, ela me disse que a empresa não trabalhava com essa política, que o chip ficaria em meu poder justamente para que eu pudesse utilizá-lo em outro aparelho!
Como assim? Não é um direito (outro) que eu tenho como consumidora? Se eu tivesse outro aparelho onde usar o tal chip, me daria ao trabalho de passar por toda essa aventura?!?
Resolvi ligar para a Central de Atendimento da Nokia – ligação interurbana.
Senti necessidade de fazer uma reclamação a respeito do assunto e ter pronta resposta.
Após realizar meu cadastro e ouvir meu problema, a atendente do outro lado me informou que eu só poderia abrir uma reclamação formal depois de 48 horas do aparelho na assistência autorizada e que a Nokia não trabalhava com empréstimo de aparelhos.
Ou seja, ficarei sabe-se lá mais quantos dias sem o telefone celular (que ao menos me servia de despertador) e sequer tenho direito de reclamar formalmente sobre o assunto quando tenho vontade!
Vou voltar a ligar em 48 horas, vou ligar na segunda-feira, continuo proprietária de um chip que não me serve para nada sem o aparelho.
Muitas pessoas passam pelas mesmas coisas todos os dias e são tão desrespeitadas quanto eu fui, como cidadãs e como consumidoras, desta vez, porém, resolvi me valer de outras formas de comunicação onde, se não resolver meu problema, pelo menos terei direito a reclamar do jeito e na hora em que bem entender sobre a forma grosseira com que são tratados e ignorados os MEUS direitos garantidos por lei.

Renata Roxo N. Martins.