Mais velhos
Lili agora carrega com ela os codinomes Bagunça e Destruição, então sair de carrinho comigo como a gente saía quando ela era um bebê pequeno de seis meses e nós íamos passeando até Ipanema., virou tarefa impossível de ser executada. Eu entendo o lado dela. Você quer bagunçar, pegar coisas, lamber coisas, explorar coisas, em seguida planeja destruir essas coisas, mas não pode porque existe um cinto de segurança te prendendo e uma mãe controladora que não deixa que você fique em pé no seu mustang e se jogue de cabeça sobre as maravilhosas tentações do planeta. Chato pra caralho, né?
Mas hoje nós tivemos que dar um passeio longo porque eu tinha zil coisas a resolver na rua. Protestando muito, ela aguentou firme por mais de duas horas, aí desisitiu de tentar e dormiu. Dormiu assim, de lado, toda torta, numa boa...
Aí entram os velhos.
Esse fato aconteceu perto da praça aqui perto de casa. O mustang estava entulhado de coisas até o "teto" (?). Lili com uma perna de fora, um braço debaixo dela mesma, espetáculo do conforto desconfortável.
Foi a criança começar a dormir que veio a primeira:
- O pescoço dela não tá torto?
Uhmmmmmmm....
Meio quarteirão depois:
- Ajeita a criança! Olha a coluna dela!!! Ajeita!!!
Ai, céus...!
Ajeitei. Ela caiu de novo. O moço da farmácia dava gargalhadas.
Mais meio quarteirão:
- O pescoço...
- Tá torto, eu sei...
Cara, nessas horas eu odeio as velhinhas!
- Oh, meu Deus!
- É tá torta, mas tá confortável...
Quase chegando...
- Mas o pescoço!!!
- NÃO VAI CAIR, TÁ LEGAL???
Porra, esqueci de comprar Coca-cola...
Deixei pra lá...
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Nada contra as velhas, que isso fique claro.
Eu vou ser uma e vou ser uma bem chata.
Mas sair com um bebê e encontrar com elas é muito duro em alguns dias.
Elas me chamam a atenção se a criança está vestida ou despida, me culpam por chover ou fazer sol, olham o pescoço... Elas esquecem que já foram mães também (em sua maioria) e que as mães são poderosas, mas não podem apagar o sol, não podem empurrar um carrinho lotado e carregar uma criança de mais de 9 quilos nos braços ao mesmo tempo.
Esquecem, principalmente, que elas deviam odiar quando alguém se metia nesses assuntos quando elas não podiam fazer nada a respeito no momento.
Talvez se eu tivesse 6 braços, morasse fora de Copacabana e fosse surda nós nos déssemos bem. Mas hoje eu odeio as velhinhas...

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