Verborragia

quarta-feira, novembro 16, 2005

Aquele aperto no peito...

Ontem um amigo me disse:
“- Eu acho que eu vim ao Mundo para aprender a ser sozinho...”

Eu respondi que não conseguia, que vivia procurando alguém.
Ele me disse que eu já sabia viver sozinha.

Ele tem razão.
Apesar de ter acesso a muitas pessoas que eu amo e que me amam, a maior parte do meu tempo eu vivo sozinha. Resolvo coisas sozinha. Faço as coisas sozinha.
Isso já foi um grande problema.
Hoje em dia, eu sei que eu sou só.

Hoje em dia, quando a solidão bate, e bate aquele desejo de ter alguém do meu lado, esse alguém não tem cor, não tem forma, não tem rosto.
Bate uma saudade de um alguém que eu acho que ainda não conheci.
Que não sei se vou conhecer.
Que tem um lado meu que nem quer conhecer porque acha que não vai ter tempo de viver essa pessoa uma vez que meu tempo é curto, que os dias de hoje são corridos, espremidos e cronometrados.
Outro lado espera ansiosamente conhecer esse alguém porque acha que merece se deitar junto, ganhar abraços, beijos e afagos. Espera poder dividir o tempo corrido, espremido e cronometrado com outra pessoa, além dos pensamentos, planos, desejos e frustrações.

O problema em ser só é esse.
A falta de divisão.
E a gente se divide desde o útero.

Sozinha a gente pode dividir com alguns amigos, com a terapeuta, com o garçom do bar, mas deixa passar detalhes relevantes, que a gente esquece depois, e não ganha todos os carinhos que acha que deveria ganhar.

A vida é complicada pra caramba, né?