Paciência
O Pediatra da minha filha disse que eu preciso ser mais paciente.
É que ela está com Tersol, coisa que eu, a) não sei nem como se pega, b) também não faço idéia de se é assim que se escreve. E aí que o bagulho já está no olhinho dela a um mês inteirinho e eu já passei água boricada, pomada, dei bolinhas de homeopatia, passei aliança, tudo e qualquer coisa que me mandaram fazer e o negócio lá, imbatível e inabalável. Estou me sentindo oficialmente derrotada por um Tersol.
Eu, a mãe que sobreviveu a um umbigo, combateu perebas, resfriados, dores de barriga, vacinas, com o maior êxito do planeta, derrotada por uma bolota...
Aí, ele, homeopata, calmo, que acha tudo lindo e muito natural, me disse que eu tenho que ser um pouco mais paciente... Que vai passar... E receitou mais bolinhas...
Meus amigos também acham que eu devo ser paciente porque ando reclamando a torto e a direito a má sorte do meu currículo amoroso.
Ando deveras choramingosa e reclamona e achando que o Universo me deve satisfações. Coitados, eles, tão paciente comigo, me dizem que tudo tem seu tempo... Eu até acredito, mas o tempo é demorado a valer, certo?
Minha mãe acha que eu devo ser mais paciente.
A única pessoa que me acha mole demais é minha tia...
No meio disso, eu percebo o quanto o tempo já passou, o quão grandinha e perigosamente alta está minha filhota, o quão esperta ela é e dá aperto porque já passou muito tempo e já, já ela não vai ser mais meu bebêzinho pequeno...
O lance é que fim de férias e nenhuma atividade paralela que não seja cuidar da Liloca me deixam com um bocado de pensamento livre. Ela é minha companheira e melhor amiga, mas ainda não é tão independente e eu não posso conversar tudo tudo com ela... Aí já estou irritada com a mesmice do lar e falta de lazer adulto propriamente falando e desenvolvo obsessões.
Voltei a reclamar meus direitos de pedestre e consumidora e realizei que o excesso de reclamações é patológico e sazonal, no meu caso.
Percebi que a minha fabulosa estatística para o ano de 2006 é outra obsessão, um passatempo ao qual estou dedicadíssima.
Patético, mas exercita os neurônios, pelo menos.
Novos filmes:
Oldboy - Um exemplo de como as pessoas podem mudar, porque eu nunca fui fã de assistir filmes em linguagens em que eu não pudesse compreender o que de fato era dito, uma vez que as legendas podem matar coisas importantíssimas. Hoje eu ando vendo bastantes filmes em linguagens obscuras. Num geral eu ainda preciso pensar um bocado, e a maioria das pessoas já viu este filme, de forma que eu não preciso nem dizer que achei ele de uma perversidade absurda, uma vez que haviam me avisado que ele era um filme violento e eu fiquei esperando violência física...
Melinda e Melinda – Woody Allen, né? Digo sempre, repito e ninguém pode afirmar que eu sou implicante. Pra mim, é que nem sushi, eu tento, tento, provo e não desce. Não gosto.
Não. Na verdade não faltam opções de diversão adulta propriamente dita, falta-me saco. Um bom social é necessário à alma de qualquer ser humano, mas meus porrezinhos tão felizes já não são mais tão felizes, eu hoje penso sempre na ressaca nada agradável do dia seguinte e em como ela afeta meu rendimento enquanto mãe, ainda que seja só aos domingos de manhã.
Não me agrada mais, nem de longe, beijar qualquer ser humano, é divertido, mas não muda a minha vida. Eu preciso de outra coisa.
Eu estou velha e não exatamente adoradora de som alto e lugares entupidos. Detesto lugares entupidos.
Diz minha terapeuta que eu estou insatisfeita com o círculo que freqüento, mas tenho medo de tentar outras coisas...
Longa história, longa discussão.
Agora eu não quero.
Vou procurar paciência em algum lugar, mas estou deveras esperançosa de que eu ache alguma perdida na nossa viagem desta semana, caso não ache alguma por aqui...

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