Verborragia

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Um Post Meio Mais Ou Menos

Foi assim...

Um fim de semana absolutamente maravilhoso.
Cuidando e curtindo duas coisículas pequenas.
Cantando, brincando e beijando-as.
Esperando o sono delas para sentar na varanda e conversar sobre a vida, tomar uma ou duas cervejas com uma tia muito amada e que eu vejo muito pouco.
Cinco dias de calma vida no campo, com direito a chão de terra, insetos esquisitos, uma vista sensacional.
Cinco dias de calma, paz e amor.
Como eu precisava.

Compromissos para com a minha palavra e outras pessoas me fizeram voltar.

O choque foi imediato.
A volta ao estresse da Cidade também.
A sensação de já querer estar de volta à casinha no campo e à paz e aos mosquitos.

Sensação de não pertencer a este lugar, que não acontecia já a alguns anos e nunca vindo de onde eu fui.

O Natal, tão fatídico, tão imediato, se impondo a todos nós.
Que nem eu disse no Dia dos Namorados: não é porque é uma data comercial - já que o dia de trocar presente de verdade seria no 6 de Janeiro, que é Dia de Reis, que foi quando os moços chegaram à manjedoura, como pouca gente sabe e eu sei porque tenho lá alguma cultura já que nem batizada eu fui – que a gente não vai querer dar nem receber presentes.
Logo, existiam mil coisas a organizar e comprar.
Aqui em casa, a organização das festas é por minha conta.
No Natal, quem monta árvore, compra e embrulha presentes, faz lista, essas coisas todas é esta que vos escreve. Só me abstenho de escolher comidas e locação do evento porque os mais velhos são gastronomicamente belicosos e fisicamente limitados.

Neste meio tempo, ainda chegando, uma pessoa próxima nos deixou. Assim, de supetão. Não era um dos meus melhores amigos, mas houve uma convivência e da Lista Das Pessoas Que Eu Acho Que Vão Morrer Antes De mim sequer fazia parte!
Um acontecimento deste porte, sempre nos faz pensar sobre a nossa Vida. Sobre o que já fizemos Dela e Com Ela. Sobre o quê faremos com Ela.

Acabou que neste fim de ano, não foi só ele que foi.
Perdi outra pessoa conhecida também.
Do meu ponto de vista, esse tipo de perda faz parte da idade.
Quanto mais velhos ficamos, mais cansados, mais sábios, mais belos, mais um monte de coisas extraordinárias se soubermos nos utilizar delas, mas também perdemos muitas pessoas ao longo do caminho.
Perdas diferentes das perdas da infância e adolescência (em sua maioria), aonde existe a possibilidade de esbarrarmos nas pessoas perdidas ao longo do caminho vindouro. As perdas de agora em diante, serão perdas irreversíveis.
Servirão para que nos acostumemos a este novo Mundo da Idade Adulta. Sem volta, cheio de responsabilidades e culpas, tão burro e, muitas vezes, tão pouco belo, mas ainda assim, um Mundo ao qual chegamos, sobrevivemos e viveremos.

Enfim, o Natal foi ótimo.
O dia em que eu esqueci das responsabilidades, das tristezas, das angústias e brilhei de novo como não brilhava fazia tempo!
Aliás, eu não brilhei.
Minha filha brilhou.
E me banhou nesse brilho.
Nessa falta de preocupação, nessa inocência, nessa alegria tão pura e tão mágica de uma criança em seu primeiro Natal, encantada com Papai Noéis e luzes e brilhos e cheia de presentes abertos ou a serem abertos em sua volta sem saber direito a qual dar sua atenção.
Foi ótimo.
Foi lindo.
Foi verdadeiramente mágico e uma das coisas que fazem tudo, tudo, valer a pena.

Mas essa noite passou.

Inevitavelmente, começa a contagem regressiva para a noite de Ano Novo.

Inevitavelmente, o pensamento vagueia.
Pensa.

Eu vi um episódio hoje de Ally McBeal (quando eu entro em crise preciso de “coisas de mulherzinha” – livros, filmes, e hoje em dia, com o advento do dvd, seriados) em que um dos personagens dizia a seguinte frase:
“Se você se lembrar de um ano e ele não te fizer derramar lágrimas de tristeza ou alegria, foi um ano perdido.”.

Pois bem.
Posso dizer então que este ano não foi perdido.

Aprendi a viver e sentir o Maior e Mais Inexplicável Amor que existe.
Vi primeiros passos, primeiras palavras, primeiro aniversário, primeiro Natal, primeiras muitas coisas.
Aprendi uma infinidade de coisas com este Amor e esta Pessoinha Magnífica.
Ri com Ela.
Chorei com Ela.
Sonhei com Ela.
Caminhei com Ela.
Vivi com e por Ela.
Vivo com e por Ela.
E esta foi a Maior realização deste Ano.
Uma realização Enorme.
Que já bastaria para encerrar tudo.
Mas não encerra.

Fiz novas amizades.
Preciosas.
Queridas.
Percebi a quantidade de pessoas queridas que eu tenho ao meu redor e isso foi Enorme também.

Amei.
Desamei.
Sofri.
Amei de novo.
Desamei de novo.
Agora não amo.
Gosto.
Aprendi que a Mulher ainda existe, ainda pode, ainda atrai olhares, ainda que eu a negligencie, que a maltrate, que a auto-estima dela não seja lá das melhores. Ela vive. Ela Ama. Ela procura.

Estudei pouco.
Mas não desisti.

O ponto mais importante talvez seja que, por mais que eu tenha tido vontade, eu não desisti.
Neste ano, eu aprendi a viver de novo.
Tudo.
Foi um ano sofrido.
Conturbado.
E eu me lembrei do sofrimento a maior parte dele.
Hoje, prefiro lembrar mais das felicidades que tive.
Aprendi a gostar mais delas.
A gostar um pouco mais de mim.
A não ter mais medo.

Para o ano?
Ah existem planos, sim.

Cuidar mais da Mulher.
Cuidar dessa minha fobia de Cidade.
Estudar.
Trabalhar.
E por aí vai...

Para o ano?

“Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu”


Nada é em vão.
Apesar de não entender muitas coisas, de achar que ainda mereço prêmios, explicações, paciência, um corpinho de 25 e muitas outras coisas, acredito piamente que nada nesta vida acontece em vão.
2005, do meu ponto de vista, foi um dos anos mais difíceis que eu já passei na Vida, senão O mais difícil.
Mas eu sobrevivi a ele.
2006 me parece um número bastante simpático.
E hoje eu não tenho razões para acreditar que não sobreviverei a ele também e, que, com sorte, até vou conseguir realizar de fato mais um plano ou dois durante.
Então, que ele venha.
Até ano que vem.