Verborragia

quinta-feira, março 09, 2006

Quando a esmola é demais...

E aí eu consegui, finalmente, depois de horas e horas e horas e dias e dias e dias e desenhos e mais desenhos de espera. Matriculada e com horário.
Um bom horário.
Um horário que vai me deixar tempo pra mim e vai diminuir minha culpa em relação à minha filha que voltará ao horário normal da creche e não ao horário estendido porque mamãe estuda.
Fiquei numa felicidade monstra.
Descobri que velhinhos jogam bocha na Praça da Paz e achei lindo.
Achei digníssimo quando vi outro velhinho dar uma sacada na bunda de outra velhinha, mesmo ele tendo sacado a minha depois (que por sinal anda tão imensa que daqui a pouco vou poder apoiar copos numa boa). Digníssimo.
Fui apanhar meu bebê de carrinho para voltarmos andando para casa felizes e aí, num sinal, estava lá parado o carro. Aquele carro que eu tanto abomino que insiste em parar em frente às rampas de pedestre. Sendo que neste carro o motorista estava lá, no volante, jogando lixo pela janela. Eu estava morta de nojo, esperando o sinal fechar quando:
“Opa! A senhora está esperando para atravessar? Deixa eu chegar para trás!”.
Naquela hora, em que o nojentão politicamente incorreto resolveu ser gentil comigo, eu sabia que alguma coisa grave ainda acontecer para esculhambar com o meu dia perfeito.
E eu vim, praticamente atropelada fisicamente, depois de andar Copacabana inteira mais um pedaço de Ipanema, mais um pedaço de Lagoa, depois de carregar o raio do carrinho debaixo do braço por metade desse percurso, com cólica, numa boa...
Vim rejeitando o princípio de que alguma ia acontecer.
Não é um bom princípio, mas quando a esmola é demais...
Aí quando cheguei em casa ainda encontrei um vizinho que me ajudou a subir com o carrinho com a bebê dormindo.
Foi batata.
Eu tentei, mas não consegui disfarçar. Tentei mal pacas, diga-se de passagem, mas tentei. Fiz malcriação, chorei, fumei, bufei, estou escrevendo...
Esperneei legal.
Vai passar? Vai.
Realmente me reservei o direito de fazer um pequeno show.
Mesmo entendendo racionalmente tudo.

Estou morta de saudades.

Da minha filha, que eu vi tão pouco essa semana. Que vejo quando acordo, enquanto arrumo, enquanto levo e que quando eu busco me faz uma festa imensa, mas está tão exausta quando chega que quer mais é dormir.
Dos meus amigos, de quem eu tenho notícias e com quem converso pela Internet e olhe lá. De quem ando bastante precisada de levar uns abraços.
Das pessoas com quem eu já marquei 15 chopps diferentes e não consegui ir a nenhum. De amigos que casaram, mudaram e não convidaram.
(...) (Sempre)

Ataque de carência.

Lado bom?
Da filha e de alguns amigos eu vou matar um pouco das saudades ao longo do fim de semana.
O tempo passa rápido.
Espero.

Amanhã é sexta-feira.
Tudo há de melhorar.
Inclusive meu humor.