...
15 anos?
Nháááááá...
Mas aos 22 eu acho que cheguei.
Também, qual a graça de ter de novo 15 anos?
Sinceramente, não consigo achar graça nenhuma...
Foi-se o tempo.
Mas, enfim, consegui meu choppinho!
Depois do fiasco de quinta-feira, quando meu bebê resolveu que estava cansado e que nós não íamos jantar em lugar nenhum, me deixando frustadíssima, eu consegui tomar meu tão esperado choppinho na noite de sexta.
Duas semanas implorando, caçando amigos superocupados, levando bolos sensacionais, ralando e precisando em nome da minha sanidade mental de choppinho com os adultos, eu consegui!
Pois é, a mesma felicidade aqui descrita foi a que eu senti então.
Além de ser o primeiro lugar do meu top 10 de programas a se fazer num fim de semana, existe coisa mais gostosa do que executar esse programa com amigos, amigos, superocupados e sumidos de anos e anos?
Aí, depois de um sábado de preguiça e intensas revoluções estomacais por conta da já corrente falta de hábito em tomar chopp, estava euzinha aqui já me preparando para fazer meu balde amigo de pipoca para ver meu filme amigo de sábado quando o telefone tocou com uma amiga linda me fazendo uma proposta irrecusável.
Depois do episódio “2 filhos de Francisco”, eu cheguei à conclusão que devia sair mais de casa, estando ou não afins. E olha que eu estava afins sábado, o problema é que a Páscoa já me arrasou financeiramente. Ovos, viagens, revitalização da figura, passagens de ônibus, terapia... Quando eu dei por mim, ou saía de casa sábado ou ia para a faculdade pelas próximas 2 semanas, e nós bem sabemos o quanto isso é mandatário no momento.
Além do quê, eu preciso sair.
Disfarçar a saudade. A falta de certeza.
...
Acontece que a minha amiga linda me ofereceu o programa que eu queria fazer num esquema 0800, aí que eu nem pensei direito. Topei, me arrumei e fui, assim bem rapidinho, nem acreditando o quanto eu estava sendo senil de fazer algo do gênero.
Detesto sair sem dinheiro nenhum no mundo. Sou pró-bebidinhas na noite, mesmo que sejam duas e pró-escolha própria. Detesto ter aqueles surtos de meio de noite em que de repente te dá vontade de ir embora e você não pode porque está de carona e tem que esperar uma galera ou tem que esperar até às 6 da manhã para pegar um ônibus. Quando os surtos batem, e de vez em quando eles batem mesmo, eu quero mais é pegar meu táxi super faturado e vir para o conforto do meu lar e a minha caminha vazia e quentinha.
É uma questão de conquistas. Conquistei o direito de me sentir assim. Por mais que eu leve fama de fresca e cagona e velha.
Excepcionalmente, quebrei tudo isso.
Porque eu ando pensando que também é lá muito bom de vez em quando quebrar todas as regras de tudo.
Principalmente as auto-impostas.
Agora, sabe quando o seu pique é um e o do Mundo outro?
Eu estava feliz, com amigos, escondidinha num cantinho conversando animadamente com quem viesse ao cantinho, e o lance foi esse, vontade de sair catando conhecidos para social: zero.
Vontade de dançar durante os shows?
Zero.
Meu tesão era ver os shows, escutar as letras, prestar atenção de verdade.
E o sono? Jesus, que sono!
Quando os shows acabaram, a gente ficou sentada um bom tempo naquelas cadeiras que a gente sempre imagina se foram bem limpinhas antes da festa praticamente babando.
Impressionante como no mundo tem gente, né?
E gente feia! E gente mal vestida. E gente desinteressante.
Realmente, quando um lugar tem luzes apagadas ou na penumbra, tudo fica mais agradável visualmente.
(Bilhões de pessoas no mundo, cara! Bilhões!!!)
Agora, como o esquema era aquele mesmo, haviam horas para matar ainda, dançar foi a solução. Boa solução.
Solução que, inclusive, nos rendeu uma carona abençoada de volta ao lar mais cedo do que o previsto.
Saco de noite? De jeito nenhum. Foi ótimo.
Saco de companhia eu? Espero que não.
Só que da próxima vez, eu me preparo antes, pelo menos com bastante guaraná em pó.
Domingo é aquilo.
Faxina, almoço, desarrumação da casa da vó.
Eu ando saindo super baqueada desses domingos.
É muita família demais pra mim. Meu família-o-meter anda meio cheio demais.
No que se desmantela algo e se pensa em outras coisas para construir, sempre acontecem papos e situações que a gente não está afins de ter com ninguém. Até porque todas as situações envolvidas só você pode resolver e não adianta nada falar sobre porque elas não são legais e te angustiam.
Voltei arrasada.
O que vale é que eu ganhei um presente hoje que me deixou mais felizinha.
Que também me fez chorar, mas de uma forma diferente.
....
Amanhã já é segunda-feira de novo.
Prova, colégio, correria...
De novo.
O que você precisa?
Geralmente, a resposta é nada. Não preciso de nada, me deixa em paz.
(Conversas de mim mesma com meu grilo falante.)
Você precisa querer o que ganhou.
O que agora é seu.
E manter isso.
Eu não sei responder.
Porque ando precisando de uma pá de coisas.
Um trator, na verdade.
Cheio.
E se só pudesse escolher uma?
O cursor brilha e ainda não sei responder.
...

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