Verborragia

sábado, setembro 16, 2006

Meus Amigos Homens

Eu tenho bons amigos.
Graças a Deus.
Boas amigas também.
Todos eles lindos.
Todos eles pessoas por quem eu movo mundo e fundos por.
Todos os quais eu morro de ciúmes, sou possessiva e chata com.
Mas, sem querer ofender as moças, eu sou viciadona nos meus meninos.
Todo mundo entende que, pra uma pessoa que tem tanta carga de estrogênio ao redor (mãe, filha, tias, as amigas...), fica absolutamente necessário ter uma certa dose de testosterona de vez em vez.
Eu tento assistir ao FX, mas não basta.
E eles são os caras que seguram muita onda, que me ajudam a entender um pouquinho como funciona o "mecanismo" masculino, que saem para beber cervejas comigo pelas madrugadas e me ouvem xingar os ex-namorados com complascência, que seguram minhas ondas deprês de auto-comiseração, que me salvam de roubadas, que são meus companheiros e guardiães reais.
Sempre tive muito orgulho desses caras serem meus há tanto tempo.
Pode vir e sair namorado, pretendente, caso, fase que for e eles estão lá.
O problema consiste que, no momento, eles querem mais que eu morra de saudades deles.
Um mudou para Araruama (amigo há 20 anos) e sempre que o bolso e o tempo permitem, eu dou um jeito de ir; outro pra Espanha (amigo há 18), que é um bocado mais longe, mais caro e mais difícil de ir, na verdade, talvez eu nunca vá até lá para ser realista e preciso me contentar com a sua visita anual; dois (10 anos de carteira cada) foram abduzidos por uma tese de doutorado e uma namorada (cada um com sua tese e sua namorada que eles são moços de família); e, como se não bastasse tudo isso, Meu Pi (16 anos convivendo comigo) se muda amanhã para uma temporada de seis meses na Colômbia ou na Bolívia, a que é lá em cima e não a que é lá embaixo.
Já andava sendo hardcore com ele viajando tanto e se casando tanto, agora, seis meses lá fora...? Acho que lá se vai mais um dos meus homens.
Não pude ir à despedida.
Estava em casa com a Licas.
Me despedi dele informalmente, sem até loguinho, quando ele veio nos ver semana passada e nós ficamos conversando sobre as nossas vidas, traçando uma pizza que, segundo ele, parecia saída daqueles botecos de rodoviária, até uma da madrugada, quando nossa intrépida companheira de papo começou a cabeçear no meu colo em sua famosa "lutcha" contra a cama.
Vou morrer de saudades desse cara.
Dos nossos almoços, papos, 40 e-mails numa tarde de "conversa" virtual, dos nossos chopps, dele aqui pra quando eu precisar ligar de madrugada pedindo colo...

Esse é só um dos motivos que estão me deixando melancólica essa semana.
Tô me sentindo abandonadinha...

O bom é quando eles voltam, aparecem, visitam ou ligam, nem parece que a gente fica tantos meses separados. É muita coisa para botar em dia, muito papo, muitas saudades e ela lá, a intimidade, o companheirismo conquistado, a amizade da gente permanece intacta, talvez até mais forte. O que me consola é saber que esses caras ainda vão estar junto de mim quando eu estiver de bengalas e não passar de uma velhinha ranzina de peitos mais caídos e cabelos mais brancos.

E que eles vão morrer de ciúmes dos amigos homens que eu vou ter que arrumar por aí para preencher o espaço enquanto eles estão fora. Hehe

Fora de brincadeira, eles são insubstituíveis.
Mesmo longe pra cacete de mim agora.
Mesmo apertando meu coração assim...