Verborragia

segunda-feira, outubro 16, 2006

Assim...II

Acho que um dos traços mais esquizofrênicos que eu tenho - não, nunca fui diagnosticada assim, mas acho que as pessoas, de um modo geral, devem carregar alguns sintomas em si em prol da assim chamada normalidade - é o fato de viver brigando sozinha.
Funciona assim: eu me irrito com você por algum motivo; primeiro eu vou ficar brigando comigo mesma dentro da minha cabeça, perdendo um dia inteiro argumentando e repassando tudo que eu gostaria e vou ou não dizer; aí se a coisa for séria mesmo - tomar corpo - entrarei em contato com a sua pessoa e ruminarei um terço de tudo que foi pensado; outro terço vai ficar entalado e provavelmente vai gerar um e-mail desabafo; o outro terço é meu e eu vou guardar pra mim e pra minha terapeuta.

Então, de repente, cá estou eu pensando que "meu Deus, como homem pode ser uma raça tão burra?", "como, sendo eles tão burros, eu consigo gostar tanto?", "como, sendo eles tão burros...?".
Rola o pensamento clássico de crise de que seria muito, mas muito mais feliz se ainda fosse virgem - e aí as pessoas letradas e inteligentes vão entender o que eu digo direitinho sem que eu tenha que explicar por a+b que esse pensamento nada tem a ver com a minha cria, por favor.
Aí eu paro, explico mais um pouco, conto um segredinho.
E penso: "Entendeu agora, coisa burra?".

Ah, Freud explica, cara.
Eu nem concordo com tudo o que ele explicou na vida, não, mas isso é facilmente explicado, pelo menos no meu caso.

E eu?
Por gostar tanto, não sou também burra?
Claro!
A diferença está em saber direitinho onde estou sendo burra, quando estou sendo burra, o que faço que caracteriza toda essa falta de bom senso.
O que me torna uma burra consciente, logo, menos burra.

Aí me perguntam: "Mas porque você gosta de mim?".
Ah, meu bem, sei lá!
Cheiro, hormônio, oportunidade...
Gosto porque gosto.
Certas coisas a gente não explica, não tem um porque definido.
Porque o céu tem tantas cores? Porque eu calço 37? Porque chocolate é bom?
Tudo tem explicação científica, mas se você não quiser se aprofundar e desencavar uma tese complicada sobre o fato, provavelente vai responder que é assim e pronto.

E nisso as coisas se enrolam, se complicam ou se resolvem.
Mas podiam ser bem mais fáceis...

Todo mundo, no meio da sua burrice e das suas complicações, pensa demais.
Pensar demais faz mal, envelhece e deixa coisas sensacionais passarem batidas pela nossa vida...