...Enquanto o Ano Novo não vem...
Quem me conhece sabe que eu já encerrei meu ano.
2006 foi um ano terrível até agora.
Acho que, de bom, só o fato de ter me rendido e descoberto minha tão negada vocação profissional - já que trocar fraldas, pelo menos por enquanto, não me dá dinheiro nenhum.
Resolvi pendências e curti muito, muito mesmo meus bons e velhos e novos amigos.
Sofri mudanças monstras no modo de ser e pensar, ainda que continue pensando e sendo muito igual ao que já pensava e era.
Agora, em termos financeiros e amorosos, o ano foi um desastre completo.
Trabalhei muito, ainda que pouca tenha mudado de fato e quebrei muito a cara - talvez não muito, mas os tombos foram feios mesmo.
Cansei de 2006.
Aí que essa semana, ainda que chorando um pouco as pobres pitanguinhas, começou a virada do ano pra mim.
Como toda gorda que se preze, segunda-feira eu (re)comecei a dieta.
E hoje, sexta-feira, posso afirmar cheia de orgulho que passei a semana na maior fineza! Não dei uma escapadinha besta que fosse! Fui de queijo minas no café, almoço de manga a franguinho com salada. Palmas pra mim!!!
Tudo bem que eu hoje acordei seca pra comer besteira, mas foi só pensar que amanhã tem festa de criança que eu voltei à fineza.
E ontem, como que num surto quase psicótico, cortei os cabelos.
Eu já estava com vontade fazer isso há meses, e as amigas me sussurrando sempre que quem gosta de cabelo curto é viado e mulher, que gente gorda fica mais redonda de cabelo curto, etc,etc,etc.
Mas, a) eu tenho cá minhas crenças esquizofrênicas e uma delas é justo em relação a cabelos: cabelo comprido acumula muita energia, depois de um tempo ele cumpre sua função, mudança é algo mais que necessário para mudar essa energia acumulada e dar início a uma nova fase; b)eu já estava com um tremendo saco cheio do tempo que levava para desembaraçar os cabelos todos os dias, ele já estava todo quebrado por conta, fora o dinheirão que eu gastava por mês em cremes para pentear; c)eu usava mais ele preso do que solto mesmo.
Então esperei pacientemente receber uma graninha, o final da aula de quinta-feira e caminhei até o salão; um daqueles que todo bairro tem um e que cobra R$6,00 por corte de cabelo.
Entrei, me designaram "uma moça". Olhei pra ele e disse:
- Aproveita, que essa vai ser uma das poucas vezes na sua vida em que você vai poder fazer isso. Quero cortar seriamente esse cabelo, na altura do queixo. Divirta-se.
As senhoras em volta me olhavam com os olhos arregalados com sussurros de "nossa, como você é corajosa!", enquanto uma nova Renata nascia.
A coisa toda não deve ter durado mais que 15 minutos e eu não tive nem coragem de falar pro cara que fazer escova era desperdício do tempo dele, uma vez que eu ia voar pra casa para tacar tinta nos cabelos e esconder esses fios que denunciam que eu não tenho mais 15 anos.
Posso dizer que saí de lá achando que aqueles haviam os 6 reais mais bem gastos do meu mês! Até tentei acreditar quando ouvi do cabelereiro:
- Gata, você tá modelo!!!
Nem tanto à terra, nem tanto ao ar.
Passei o dia procurando o resto cabelo, achei até que podia ter ficado mais curto, mas que alívio não lutar mais com ele!!! Que alívio!!!
E a cara redonda, se a fineza continuar, logo, logo fica um bom fundo de tela...
E logo, logo esse ano do mal acaba.
Mudar, de vez em quando é bom.
Ainda que só na superfície.
Ainda que enquanto passatempo para o que vem por aí...

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