Coisas Críveis e Incríveis - Percebe...?
Quando eu digo que as coisas mais inacreditáveis acontecem à minha pessoinha, ninguém acredita.
Pânico, pânico mesmo, eu tenho é de besouro, mas mulher nenhuma na face da Terra – e nesse aspecto eu vou me encaixar livremente ao fato de fazer parte da raça assim denominada "as mulheres", apesar de achar que eu e elas temos muitas discrepâncias enquanto seres humanos viventes e respirantes (principalmente pensantes, eu diria) – se amarra numa barata. Ainda mais quando a barata é grande, voadora e resolve atacar no meio de uma peça de teatro!
Pois é, a tal peça? Eu fui. Munida de interesses cdfs, inclusive. Toda bonitinha e arrumadinha. O teatro grande, cheio de velhos de todas cores e credos... O espetáculo começou, nós cantamos umas três musiquinhas e eis que minha mãe começa a se estapear e pular e dar gritinhos. Não era um chilique, era um baratão. Um baratão que ela, no auge de seu pânico mulheril, fez a caridade de jogar para cima de mim, que joguei para cima dela, que jogou de volta, que voou para o colo da nossa amiga, que jogou para a frente... E pés nas cabeças da fila da frente, bolsas ao alto, echarpes ao chão, velhinhas arrastando seus velhinhos para fora...!
Eu saí correndo e me sentei no corredor, com os olhos sempre atentos a qualquer poeirinha que pudesse voar de qualquer lugar. A peça, obviamente, perdeu toda a graça. Meu bumbum doía, minhas costas idem, minha moral foi ao chão com o ataque fatídico.
Nunca havia ouvido nenhuma história sobre pessoas atacadas em teatros...
E eis que, quase recuperada, justo no dia do que deveria ser minha folga da maternidade, onde poderia acordar meio-dia sem ninguém me chamando para pegar "maix paladêla" – e ansiava por isso com todos os meus músculos – fui acordada de manhã ainda cedo por uma mãe que adentrou meu quarto e minha inexistente privacidade para que eu lhe fizesse uma trança nos cabelos, alegando que eu já estava no lucro.
E assim começou mais um dia de papéis coloridos, furbys – vou explodir – lacinhos, telefonemas e minha nova obsessão.
Voltei a ter tesão por cozinha. Daquele jeito que só facas de cozinha podem me fazer verdadeiramente feliz, só que, desta vez, estou voltada para tabuleiros, bolos e biscoitinhos.
Como o aniversário de Croca é eminente – a essa hora estávamos todos esperando ansiosos por uma explosão de gosma acontecer pelo meio das minhas pernas, coisa que não veio a acontecer de forma alguma – e eu inventei que bolo de aniversário quem faz sou não só pelo amor materno, mas também como uma espécie de compensação e repetição das dores do parto, coisa de canceriana com problemas; resolvi que faria minha primeira incursão ao "Mundo do Pão-de-ló". A receita é ridícula, os ingredientes superbásicos e, convenhamos, eu entendo um pouco de cozinha, né?
Quem disse?
Quando minha amiga-de-fé-irmã-camarada-e-uma-das-únicas-pessoas-que-lêem-este-ensaio-de-qualquer-coisa Lu chegou lá em casa, eu já tinha batido o raio das claras com o batedor e estava há meia hora, no mínimo, assassinando elas com o batedor manual indignadíssima porque neve que é bom nada e meu-Deus-do-céu-se-as-pessoas-conseguem-eu-tenho-que-conseguir-também!!!
Não consegui.
Quase me estourei toda. Tentei com carinho, mecanicamente, manualmente, brutalmente, pacientemente, passei a bola; e nada do bagulho pensar em virar neve. Foi sem neve. Logo, apesar de ter ficado gostoso, não fazia parte do "Mundo do Pão-de-ló" e eu vou precisar de um tempo para me recuperar e tentar de novo e este ano vou fingir que já cumpri a tradição que eu inventei para mim mesma – frase complexa, não? – e vou é comprar uma torta que vai ser bem melhor para a minha auto-estima, que já não anda lá essas coisas...
Novidade...
Enquanto eu matava os ovos, a Lu embrulhava caprichosamente as lembrancinhas do aniversário da Croca - tadinha, toda vez que ela vem aqui eu ponho ela pra trabalhar!
Muito papo, muitos cigarros, embrulhos e engulhos depois, fomos pra rua que também somos mocinhas e filhas de Deus.
Noite ébria...
...Mas rodeada de amigos felizes.
Domingo, mais trabalho.
Quer mais?
A impressora maravilhosa do Além From Hell Paraíba que a gente comprou e precisava muito usar, veio quebrada!
A gente seguia o passo-a-passo, olhava tudo, ligava e desligava e a bicha nem tchuns pra gente...
Que tal?
Faltaram as etiquetas...
E as cabeças quase caíram...
Não muito feliz com muitas coisas e pensamentos tive uma insônia fenomenal.
Descobri que eu sou uma das poucas pessoas que eu conheço que começam uma segunda-feira com a vida quase toda planejada até a próxima segunda-feira e dependente de fato chave e importantes para poder definir qualquer coisa para o tempo que segue.
Claro que essa insônia e essa tomada de decisões novas - que ainda podem mudar, claro - tinha que ser na véspera de uma palestra.
Eu só tinha que estar de pé às 7 da manhã para deixar a Olívia no colégio e ir para a faculdade para uma jornada dupla.
O 7 da manhã fracassou, uma vez que eu fiquei acordada e atenta até às 3 da manhã e abracei o despertador quando ele resolveu tocar. Cheguei à conclusão de que preciso de duas horas de vantagem ao acordar para acordar, arrumar as bolsas de forma eficiente para que não me esqueça de nada, tomar banho - poder fazer tudo com muita calma - de forma que, ter perdido uma hora e meia com carinhos ao despertador amigo foi mortal pra minha pseudo-organização.
Saí feito uma doida desvairada, morta de atrasada, deixei a criança no colégio, corri pra faculdade, tive tempo de esperar o auditório abrir e de ler um bom pedaço do meu livro, mas no que o auditório abriu e a palestra começou, eu dormi vergonhasamente praticamente na cara do palestrante!
Acordei meio babando e resolvi tentar salvar um pouco o meu filme e sair fora.
A partir de hoje minha cabeça gira em torno de sete guerras árabes.
(Como a gente faz guerra, né? Que coisa mais louca!)
Meu presente de aniversário de dois anos de parida vai ser esse: apresentação de trabalho casca grossa da professora mais exigente e que mais me odeia sobre conflitos árabes, que tal? Logo eu que não gosto de política!
Existem mais coisas esperando para acontecer e eu odeio esperar.
Principalmente quando são coisas grandes.
Coisas grandes deviam se resolver correndo e as pessoas não deviam ser como elas são.
As pessoas andam me aborrecendo um pouco.
E tudo que eu fico querendo na vida, quando as pessoas me aborrecem, é ficar quietinha, evitar conflitos.
Ai, a vida é tão complicada...
Viver, mata.
Amor, dói.
Pensar, enlouquece.
Percebe...?

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