Verborragia

sexta-feira, outubro 20, 2006

Sexta-feira. Já.

Quem diz que eu não corro e não faço nada merece dez milhões de tapões no cocoruto.

Final de feriado com praia com criança no meio da "galera" jóia joínha que habita Copacabana aos domingos - muito rapidinho porque eu morro de medo de torrar a criança - o que cansou e telefonema de fim de auto-estima.
Bom de auto-estima baixa é que até ela uma hora acaba. Não tem mais praonde baixar, então volta a subir. Tudo limpo, esclarecido, na mão, é só vir pegar; sem mais oferecer.

Segunda e terça são um desastre na minha vida porque eu tenho aula de português na segunda - de onde, invariavelmente, saio com milhões de questões a serem auto-analisadas e outras tantas respondidas e esclarecidas, por mais incrível que isso pareça; apesar de nesta segunda em espefíco ainda ter me rendido uma receita de pão-de-ló a ser feita durante este final de semana - e terapia na terça - onde me analiso de fato, ponho tudo pra fora e fui eleita a Rainha da Auto-sabotagem - o que me faz ficar com a cabeça a mil e duzentos por hora.
Promessa cumprida e interrompida.
Não dava tempo de tentar de continuar.

Quarta foi o dia de maldizer a pessoa que me disse que fazer festa no colégio não dava trabalho. Tá que a despesa vai ser um quinto do que foi ano passado - visto que serão duas festas na verdade, já que vai ter bolo em casa também - e que eu não vou ter que arrumar muita coisa, mas o trabalho de comprar toda a decoração, ver comida, lembrancinha, roupa é o mesmo. Fazem semanas que estou engajada nesta atividade, com direito a varar este final de semana embalando lembrancinhas e docinhos escondida da criança e a quantidade de sacolas que se acumula no esconderijo secreto da casa que sabe Deus lá como eu vou carregar semana que vem junto com a criança propriamente dita para o colégio. Fora que eu nem vou poder ir à tal festa!
Mas tudo bem, pelos filhos a gente faz tudo...
...Contanto que isso signifique que eles fiquem e estejam felizes - ideal de felicidade materna que, infelizmente, não serei capaz de provir para todo o sempre, como a gente bem sabe...
...Ah, se sabe...!

Acabei comprando o arroz colorido.
Outra tarefa para o final de semana.

Outra tentativa.
Nada.
Nome, telefone e endereço estão em posso.
Cheguei numa fase da vida em que odeio incomodar. Não quero incomodar.
A vida segue.

Ontem, aula, banco, chuva, chuva, chuva, chuva, mercado, chuva, os pés só faziam squash, squash, criança, lanche, chuva, palestra.
A monga aqui foi pra palestra numa unidade da faculdade - minha faculdade tem unidades, olha só - e a palestra era em outra. A monga aqui descobriu isso cinco minutos antes da hora marcada, teve que pegar um taxi que ficou, obviamente, engarrafado na Lagoa, mas, Deus é pai e choveu pro palestrante também, então a monga aqui conseguiu chegar a tempo e assitir à uma palestra quase esclarecedora, se não fosse a falta de tempo para perguntas, visto o adiantado da hora, seria esclarecedora.
Chuva, taxi, chuva.
Outro taxi.
O cara nem para tentar, esboçar, fingir que gostaria de ajudar uma senhora de vestido, na chuva com uma mochila pesada, uma bolsa de criança, uma criança, um guarda-chuva e duas sacolas. Tudo bem, esse entra pra lista dos que vão ter dez filhos.
Agora eu tô assim, às vezes não resisto e ainda armo meus barracos, mas na maioria das vezes eu ando repassando a praga da minha mãe. Quando eu era pequena ela dizia que ia ter dez filhos para passar dez vezes o que ela passava comigo. Deus foi bom e não fez a praga pegar. No máximo, estourando e com muito boa vontade, visualizo outra criança daqui a uns dez anos, quem sabe... Aí que eu agora para me acalmar quando encontro com esse tipo de pessoa que a)ou não tem mãe, b)ou não teve mãe, c)ou não tem filhos penso logo que essa criatura há de ter dez e passar dez vezes o que ela está me fazendo passar.
Não é bonito, reconheço, mas só a imagem daquela pessoa que, no mínimo, é sem educação tendo que passar a roleta de um ônibus ou ajeitar sacolas e dez crianças debaixo de chuva num taxi sozinha me dá um certo conforto na vida.

Chegamos em casa dez e meia da noite, porque dentro em breve teremos que estar de pé porque madame vai para seu passeio quinzenal e eu vou cuidar da minha vida. Me sinto uma merda de mãe chegando tão tarde com ela e tendo que dar jeito aqui e ali para ter quem fique com ela, mas fico logo mais calminha quando lembro que isso tudo é em prol do futuro de ambas; que mais que por mim, este esforço está sendo feito por ela.

Coisa que, aliás, minha terapeuta repete que nem papagaio e eu não consigo me livrar, esse vício de fazer as coisas muito mais pelas outras pessoas do que por mim.

Amanhã (hoje).
Dia meu, certo?
Errado.
Banco, faculdade, fotos, casa, palestra e teatro.
"Ah, Renata, mas você gosta de teatro!"
Amo.
Mas querer, querer mesmo, queria era sentar, relaxar, tomar um chopp, receber um telefonema surpresa; mas me rendi à cara de maior abandonada da minha mãe e dispensei o resto.

Sábado eu também vou trabalhar.
Minhas esperanças estão no final da tarde de sábado, vejam bem.
Final da tarde.
Noite.

Domingo eu volto pra cozinha e já tenho a semana tomada até quarta que vem, que tal?

E nego ainda tem coragem de dizer que o tempo não passa correndo.
E que eu não faço nada.
Arrã...
Tá certo...