Prejudicada, mas feliz.
Você já conheceu alguém que tenha conseguido quebrar os dois dedos mindinhos do pé de uma vez só?
Conheceu agora.
Não foram acidentes simultâneos, pelo menos, mas neste exato momento me encontro quase aleijada.
O primeiro dedo foi quando eu estava correndo pra casa há uma semana com Olívia na maior pressa porque tínhamos uma festinha infantil para atender e dei com o pé, com toda vontade e violência, num fradinho (fradinho é aquele negocinho que nêgo pôe na rua pra dividir a calçada).
Durante três dias, muita arnica, curativos enormes do jeito que eu gosto e só chinelinho. Deus sabe lá como eu consegui pôr uma sandália para a festinha - e foi só ela mesmo que nenhum outro sapato me permitia andar tamanha a dor.
Ainda dói depois desse tempo, ainda está preto no lugar da batida.
Aí que ontem eu fui toda pimpona para o show do Matanza (A-DO-RO!!!); dentre outras coisas, estava calçando uma sapatilha com o intuito de fácil locomoção, eis que um rapazinho no auge de sua empolgação - e usando uma bota de caubói que depois foi tirada dos pés do rapaz e oferecida à banda, coitadinhos - esmigalhou (não tem outra palavra) meu dedinho do outro pé!
E eu que já estava pensando antes de chegar que ter saído de sapatilhas sem meias havia sido de uma estupidez absurda e que eu provavelmente teria que usar chinelos por pelo menos umas duas semanas tamanho o estrago nos calcanhares...
Me explica agora como serei uma mulher completamente fina hoje - num evento social importantíssimo e muito esperado - sem poder pôr sapatos? Com uma nova bolota no lugar do dedo.
Inacreditável...
Preciso, quero escrever mais, mas eu ando sem tempo.
Veja este final de semana, por exemplo.
É o meu final de semana de folga, aquele que Licas vai pra casa do pai e eu faço tudo que me der na telha culpa free.
Acontece que as últimas três semanas foram tão punks, em termos intelectuais, que, já na quinta-feira, depois de apresentar o meu último seminário sofrido, eu sentei e comecei a babar. Depois de tanto ler, espremer e pensar baixou uma trava neuronal braba que na sexta, depois da Licas ir, ainda persistia.
Apesar do meu trato comigo mesma de não ficar em casa sem ela aqui, não deu, não haviam condições de ir pra lugar nenhum.
Aí eu tenho aquele sonho - todas as vezes - de dormir até o dia acabar, mas quem disse? No sábado às 10 da manhã eu já estava de pé arrumando a cozinha, lavando roupa, fazendo comida, essas coisas de mulher do lar.
Fui na rua fazer compras com a mamãe, fiz as unhas, cheguei em casa me arrumei e saí.
Faziam duas semanas que eu estava esperando o tal show do Matanza, ia até passar antes na casa de uns amigos, mas quando eu fui fazer o cálculo do tempo que eu levaria só para ir e voltar e que esse tempo ia ser maior que o meu tempo de permanência no local, desisti e fui direto pra Lapa.
Sou extremamente partidária do sair sozinha.
É uma arte.
Sair sozinha, sentar e beber sozinha sem achar chato, ficar com vergonha ou coisa que o valha, são artes.
Nessas horas meu incentivo é: não nasci grudada com ninguém.
Claro, que depois de algum tempo, encontrei várias pessoas queridas.
E os shows foram ótimos!
O dedinho eu só fui sentir hoje, tanto que depois saí pra dançar e tudo!
Noite longa e feliz!
Mas hoje estou de volta às minhas tarefas do lar e ainda vou ao circo do sol.
Seis meses de espera.
Sabe o que é estar com um ingresso comprado há seis meses para ver algo?
Nem sei mais se eu faço tanta questão, mas isso já é maluquice minha.
Amanhã também tenho dois milhões de coisas pra fazer - incluindo biscoitos (minha incursão culinária da semana) e praia com a bebê, se fizer sol.
Quem disse que eu consigui descansar um pouquinho só?
Ou que vou conseguir?
Essa coisa de feriado e final de semana e de que eles servem para descansar é imaginação popular. Tenho certeza.
Resumo: extremamente prejudicada física e intelectualmente, mas feliz. Muito feliz.

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