Wow!!!
Pois então; foram seis meses de espera, quase uma vida se a gente contar tudo o que aconteceu nesse meio tempo, mas eis que o dia 19 de Novembro de 2006 chegou!
Com o dia 19, meu compromisso de ir ao Circo do Sol.
(Repara, não, eu sou cheia das intimidades. Se Gil e Caetano podem chamar a MTV de Mêtevê, eu também posso muito bem chamar o Salinger de Gerônimo - ele ia odiar tanta intimidade, mas tudo bem - e o Cirque du Soleil de Cirquinho so Sol, quem me impede?)
O lance é, que pra mim que praticamente só me locomovo a pé, a ida ao Cirquinho tomou conotações de uma grande excursão a outro país. A Barra é mesmo outro país, morro de horror da Barra.
O espetáculo estava marcado para às 20h, mas como eu sou uma moreninha Zona Sul, tive que começar a me arrumar às 16h, veja bem. Tudo pronto, máquina, casaco, tia de plantão esperando a bebê e afins, lá fomos eu e minha pequena genitora rumo a nosso destino.
Apesar da Niemeyer (onde passei tanto na ida quanto na volta rezando para todos os meus santinhos), que percebi, pela primeira vez em anos e anos de vida e passagens, ser uma das "avenidas" mais claustrofóbicas que eu já conheci, o trajeto da ida até que foi rapidinho.
Me deu aquela pena de São Conrado ser o que é: um dos retratos mais absurdos da desigualdade social carioca onde, de um lado existem casas cinematográficas, daquelas que você sonha em ter quando é criança e hoje já nem sonha tanto quando pensa na quantidade de produtos de limpeza que você ia ter que dispôr toda a semana só para torná-la habitável, e de outro aquele retratinho sujo, violento, quase miserável; um lugar onde não se anda nas ruas se você não for morador do lado "b" da coisa ou uma pessoa "além túnel" e sem noção do perigo como eu.
Deu para paquerar tudo aquilo que eu gosto da Barra, que também são as casas; o resto eu continuo achando abominável, hipermercados me dão pânico, vida em condomínio é o similar moderno de prisão domiciliar, a tentativa frustrada de dar uma cara de Miami a um lugar onde só se sai se for de carro e ainda assim para freqüentar aqueles shoppings medonhos com suas fachadas parecidas com pombais gigantes.
O primeiro passo, tendo chegado ao Barrashopping com quase duas horas de antecedência, era descobrir aonde havia sido montada a tenda do Circo e como iríamos chegar lá. Já na primeira vez que interpelamos um rapazinho que trabalhava num daqueles guichês de estacionamento, ouvimos então uma coisa que iria se repetir por mais algumas vezes até que conseguíssemos escapar "daquilo": "Vocês estão a pé...? (cara de espanto profundo) Então vão ter que andar um bocado...".
Detesto coisas mega. Tenho pânico de lugares que me dão muitas opções - detesto escolher entre mais de três coisas, sinceramente - e estão abarrotados de pessoas. Um shopping da magnitude deste em questão, então, cheio de andares e lojas mega é praticamente um pesadelo para a minha pessoa; minha intenção, muito sinceramente, era rodear o estacionamento e achar o lugar sem ter que enfrentar o "monstro", mas, segundo as instruções do rapazinho, eu não sairia ilesa desta aventura. As instruções eram de entrar, descer ("Como assim? Tem andar de baixo?" - minha reação) e seguir em frente toda a vida.
Entramos, descemos... Descemos de cara na Fnac. A Fnac aqui em casa é um templo de perdição, visto que aqui se lê muito, graças a Deus, mas a igreja em si nunca havia sido visitada in loco por nós - nosso amor é todo virtual. Eu e mamãe parecíamos duas pessoas vindas de alguma cidade do interiorzão, um Deus me Livre qualquer, de boca aberta, com um certo medo de se movimentar no meio daquelas pessoas aparentemente tão confortáveis naquele furdunço todo. Olhamos daqui, olhamos dali e eu já comecei a dar chiliques que precisava sair dali porque nós não íamos conseguir sair daquele lugar, etc,etc,etc. A conclusão que chegamos foi a de que nosso namoro virtual é muito mais gostoso e tranquilo. Quase quebrou a mágica e enterrou o tesão ter conhecido a filial.
Siga em frente.
Siga em frente é uma coisa que em shopping não existe. Os corredores se bifurcam toda hora e quando você vai ver já está aonde começou de novo. Mas, mais umas duas perguntadas (devidamente acompanhadas pela decepção da falta de carro) e alguns chiliques meus depois, eis que vislumbramos vindo em nossa direção dois senhores cada um com sua camiseta indicativa "Saltimbanco". Os senhores foram devidamente agarrados, cada um por uma e quase que em uníssono ouviram: "como é que a gente chega lá?!?". Após uma gargalhada geral, visto o ridículo da situação, estes senhores nos deram a indicação certa e nos garantiram que estávamos chegando. Estávamos mesmo, conseguimos ver as tendas bonitinhas na nossa frente faltando exatamente uma hora para o início do espetáculo.
Eu, que não sou boba nem nada, topei fazer um lanche com a minha mãe, contanto que esse lanche fosse num quiosque chiquérrimo e caríssimo (Barra...) em frente à saída tão procurada.
O lanche foi muito bonzinho, mas nossa epopéia estava longe de estar terminada.
Quase chegando lá - realmente nós andamos um bocado, mas mais no sentido aventura da coisa do que no sentido maratona, num dia-a-dia normal eu tenho certeza de que ando muito mais, e ando na boa, o problema foram os obstáculos - existiam duas opções: ou você pegava uma passarela especialmente construída para que você pudesse chegar, ou ia por uma outra entradinha aonde se encontravam uns guardinhas de trânsito uniformizadinhos de mãozinhas dadas que bloqueavam o trânsito para você. Eu não vi mal nenhum em seguir o fluxo pela passarela (ou não parar o trânsito como mamãe disse), mas mamãe teve um lapso de memória e no meio do caminho começou a gemer e dizer o quanto odiava passarelas, que ela havia esquecido, que estava passando mal, que ia fechar os olhos e tudo o mais. Realmente, as passarelas da Praça da Bandeira me parecem bem mais seguras que aquela ali, fora de brincadeira, mas realizamos mais essa no nosso RPG dominical.
A organização da coisa em si era uma coisa de marejar os olhos, na boa. Morri de inveja daquele povo que corria para lá e para cá de radinho na mão que variava entre a cara amarrada e um sorriso simpaticíssimo. A primeira tenda era a do mercadinho de moda, aquele básico para ajudar os artistas, coitados, tão pobrezinhos, onde uma camisetinha nem tão bonitinha assim e até de um certo gosto duvidoso custava módicos R$60,00, uma máscara lá que eu nem vi ninguém usar igual durante todo o espetáculo custava R$180,00 (ainda tinha outra de R$800,00), mas vingança mesmo foi ver o DVD, que estava em promoção na Fnac por R$29,90 a R$45,00 na tendinha. Tudo lá era mais caro. Minha única reclamação em relação a todo esse evento diz respeito justo a isso, tudo era exorbitantemente caro. A começar do ingresso. Não faz parte da nossa realidade social, caramba! Quem foi, era, é, priveligiado de alguma forma especial; uma pena.
Quando finalmente entramos no recinto, fiquei boquiaberta.
Primeiro a tenda principal não era aquela enormidade que achava que ia ser, era pequena e os nossos lugares não foram em nada prejudicados, parecia um teatrinho - muito intimista até - e a gente estava perto mesmo. A produção era uma coisa de cair o queixo; cenário lindo, os figurinos uma coisa maravilhosa! Lúdico até o talo! Você entrava dentro do espetáculo; não só pela proximidade dos artistas com o público, como pelo espetáculo em si. Tem todo um porquê de ser um circo tão especial. Existem aqueles números básicos e essenciais a qualquer circo como os malabaristas e os palhaços, mas existe uma historinha sendo contada, tem uma banda tocando ao vivo que faz uma trilha sonora impecável. O coração da gente quase pulava nos números da corda bamba, dos saltos... Minha mãe do meu lado soltava inúmeros "uh!" e "ah", assim como o resto da platéia.
Eu, que já estava um pouco aborrecida com a espera e a superexposição da mídia (tudo que se fala muito me dá canseira e o Circo do Solzinho participou até de C.S.I. recentemente, o que o tornou aos meus olhos um cirquinho muito mais pop que fino), esqueci que estava a milhas e milhas distante do meu amor e todo o resto. Valeu a espera e valeu a ida.
Um dia na vida, todo mundo deveria ter uma experiência dessas.
As expressões pensadas ao longo do show eram palavrões ou "uaus".
Também ri um bocado quando pensei nas mães dos artistas, que devem ter passado um bom tempo da vida gritando coisas como "menino, desce desse telhado!", "brincando com essas bolinhas de novo, fulana?", "vai estudar, garoto, e pára de dar pirueta!", sem que ao menos tenham pensado num minutinho que seus filhinhos iam fazer dessas artes todas uma forma de vida e sustento. Mães também podem ser bem manés, né?
Claro que, a esses preços, eu sinto muito, mas a não ser que eu ganhe na Mega Sena acumulada, acho difícil de repetir o feito, na verdade, posso dizer que recuso.
A volta pra casa foi igualmente rápida, igualmente cercada de rezas por conta da "avenida" e dez vezes mais cara; mas chegamos vivas e satisfeitas e isso é o que interessa.
Ah, sim! E ainda fiz tudo isso de salto alto!
(Os dedos, lembram?)
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Encerrei meu final de semana arrumando meu armário último nível, encarando panelas de almoço e jantar, instalando impressora, trocando lâmpada e, só hoje, cinco máquinas de roupa.
Descanso? Uma meia horinha junto com a bebê e é isso aí pessoal.
Amanhã (re)começa a ralação, intensa esta semana como têm sido todas as semanas deste final de ano que não acaba por mais que eu já tenha dado ele por encerrado.
(Re)começo as leituras também.
Todas as vinte milhões e sessenta e cinco mil.
Wow...!

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