...E hoje - eu me apaixonei!
Quem disse que a gente só se apaixona por gente?
Outro dia mesmo, fiquei aqui tendo coisas comigo mesma ao me ver apaixonada por um escritor.
Eu ia lendo e querendo mais, mais, mais; pensava cá comigo como era possível existir um homem tão inteligente, tão culto...!
(Ando numa fase em que, para mim, homens são todos beócios - este frenesi em si foi de pura empolgação.)
Passou a paixão por ele.
Ficou a admiração e garimpagem por seus artigos (é um jornalista).
Paixão passa.
O bom dela é justo este frenesi.
A descoberta.
A leve taquicardia que ela desperta.
Minhas taquicardias ultimamente são todas intelectuais.
(Isso não quer dizer que eu agora só leia Kant, por exemplo - intelectual vem de intelecto, lembrem.)
Os livros que eu leio, que quero, as pessoas que leio, me despertam paixões fugazes a cada dia.
Ontem, escrevi uma dissertação sobre um dos livros que talvez eu tenha mais lido em toda a minha vida literária, sobre um personagem que me acompanha há 15 longos anos e sobre o qual meu ponto de vista mudou da paixão adolescente ao olhar psicológico misturado a um carinho materno.
Foi uma boa dissertação.
Com essa, são duas as que eu devo a publicação (em férias, elas virão).
Confesso que de livros, depois deste do tal jornalista, não obtive mais paixões até agora.
Também, passei quase um mês só lendo por obrigação, sobre assuntos os quais eu precisava aprender e não era lá muito fã...
A sensação de voltar a ler por prazer e direito de livre escolha foi indescritível!
Dispenso qualquer programa e qualquer gente para isso, no momento.
Me peguei lendo dois livros ao mesmo tempo.
Um, que não consegui seguir adiante porque trata de paixão destruída e, de paixões destruídas, na época, bastavam as minhas; mesmo assim, resolvi insistir. Desta vez não está doendo tanto, mas também não estamos lá correndo uma Fórmula 1 - e xongas de taquicardia.
Outro, com um tema interessantíssimo, meio pedagógico, totalmente cultura morta (nada é inútil); mas o autor de vez em quando resolve "dar para a piadista" e estraga verbetes maravilhosos. Sim, verbetes, logo, para fins de assimilação mínima de algo, não adianta ler tudo de uma vez ou todo esforço será em vão.
(Como dá para ver, hoje estou de espaços...)
Preciso de um romance.
(Precisa explicar a definição desta vez? Está escuro aqui e o dicionário está tããããoooo longe...)
Um romance apaixonante, escrito por alguém apaixonante; que me faça voltar a pegar ônibus pela simples questão de ter tempo para ler mais um pouco no caminho.
Espero e espero que este romance venha, me chegue em mãos na quinta-feira.
Meu livro ganho.
Meu presente valiosíssimo - não só por quem o escreveu, como por quem presenteou.
Do contrário, começo a pensar seriamente em esperar a "encomenda de Natal" e ler um Sidney Sheldon para esvaziar a mente e, aí sim, entupi-la de romances baratos.
(Sim, já li quase todos os best sellers que você imaginar e sobrevivi. Sou uma leitora quase sem preconceitos. Assim como cinema, ler também deve divertir, ora essa...!)
E nisso chegamos aos filmes.
Percebi que assim que as férias chegam - bom, não chegaram ainda de fato, mas esta semana já é uma prévia, só falta uma prova semana que vem - eu me viro em livros e filmes. Entro muito em ambos.
E eu vejo mesmo muitos filmes.
Sou uma daquelas pessoas irritantes de se alugar um filme com porque já vi quase todos nas prateleiras.
Filmes, assim como livros, também despertam paixão, tá pensando o quê?
Foi assim com "Rock Horror Picture Show" ou "Fome Animal" ou "A Lenda", até "Harry Potter" foi capaz de me despertar uma certa paixãozinha...
(Eu não vou ao cinema, exceto por três ou quatro vezes por ano.)
Tudo bem que eu andava a "Rainha do Terror Japa" - vi quase todos e aluguei dois hoje mesmo. Mas, em algum ponto, deve ter rolado uma overdose qualquer que eu resolvi dar um tempo de terror japa (até porque, pasmem, eu morro de medo dos fantasmas depois).
Voltei a ver filmes num geral.
Mas, desde um terror tailandês que eu vi no cinema há meses e meses e meses atrás, que nenhum filme me despertava paixão. Me dava a tal taquicardia.
Vi um incontável número de filmes ruins e bizarros, ruins e bizarros, fracos, bons, bonitos, feios...
(Ando, aliás, muito injuriada cá comigo com essa mania dos diretores "da moda" de fazerem filmes escuros. Você passa, praticamente uma hora, de uma e meia de filme, não enxergando absolutamente nada ou forçando sua miopia a todo seu limite mais que humano e o cara teve que trabalho, me explica? De deixar tudo escuro e rir da sua cara de mané que paga uma fortuna para assistir a obra-prima dele e ainda sai do cinema achando um filme genial e a escuridão uma coisa super inserida no contexto. Poupem-me. Sinto-me declaradamente uma otária toda vez que a dor de cabeça me abate durante um filme.)
Até hoje.
Na verdade, hoje, eu só resolvi pegar um "pacote" de filmes por causa de um único filme que estava disponível, está aqui e será visto amanhã à noite, e de outro, que resolveu ficar ausente para sempre desde que eu não consegui voltar a tempo de uma festinha infantil para buscá-lo. Disso, da canseira emocional e financeira pós-compras de Natal e da idéia nascente de ir ao cinema, vieram aqui para casa quatro filmes.
Numa semana "normal", eu provavelmente não teria tempo de ver todos.
Eis que resolvi agora à noite ver "Rent".
"Rent", eu sabia que era uma peça de enorme sucesso na Brodway, polêmica por ter personagens gays e com HIV (vale ressaltar que, como um musical dos tempos modernos, não são só os gays que têm HIV, mas um casal heterossexual também) e que falava sobre jovens novaiorquinos.
A capa do DVD me vendia um musical com a qualidade de um "Moulin Rouge" - que, vocês vão me desculpas, mas nem a dupla chata de gostosos, salvou.
Perigoso, mas... Cultura, ora bolas!
Não podia ser tão mortal assim, podia?
Podia.
Mas não foi.
Você começa a se apaixonar por "Rent" na primeira música.
A letra é linda e os atores despertam sua curiosidade (todos são de seriados americanos de audiência, o que os transforma num espanto espantoso ao longo do filme porque você se pega de boca aberta pensando "e ainda canta...!").
Perfeito não é; existem pedaços escuros (como em todos os filmes de hoje) e a história é quase previsível. Aliás, se você não for amante de musical, nem passe perto, esse é um musical daqueles que a pessoa canta morrendo, andando, defecando...
Sei que eu fui vendo, ouvindo, entendendo... Daqui a pouco, batia os pés no ritmo da música; em outra hora, ria das situações; em outra, chorei abertamente. Um filme que consegue com que você faça tudo isso, amigo, é um bom filme - é um puta dum bom filme.
E, um puta dum bom filme, que faz com que você, assim que aperta o "stop" logo após o "the end", pense que quer aproveitar enquanto o filme está com você para poder vê-lo de novo amanhã e depois de amanhã de novo; esse é o filme que despertou a nova paixão.
Que vai passar, como qualquer outra passa, mas que hoje, te fez feliz e fez teu coração bater mais forte.
Pra mim, um "Hair" dos anos 1990.

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